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O que está errado com a educação

Opinião

Alberto Alves Marques | Coordenador da Área de Ciências Humanas na Rede Pública do Estado de São Paulo e escritor - 02/07/2018-21:00:47 Atualizado em 02/07/2018-20:43:57

O que está errado com a Educação Básica Brasileira, principalmente, a praticada dentro das instituições credenciadas denominadas escolas públicas, financiadas com o nosso próprio dinheiro?
Diga-se de passagem, resolvi discorrer sobre essa temática ao analisar os indicadores brasileiros nas Avaliações Nacionais (Enem), e os internacionais, como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes).
Grosso modo, o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) tem como objetivo avaliar as competências básicas da educação em nosso país, além de subsidiar os estudantes para uma vaga nas universidades, sejam elas públicas ou privadas, construindo também indicadores para melhorias na educação básica no país.
Por outro lado, o Pisa é realizado a cada três anos com jovens de 15 anos, pela Organização Para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, avaliando os componentes de Ciências, Matemática e Leitura, algo imprescindível no contexto escolar.
Nota-se, que os resultados das escolas Públicas não são satisfatórios nos exames, citados acima. Porém, aqui, focar-se-á no Pisa, o exame do ano de 2015. Dessa forma, no foco Ciências (uma das modalidades avaliadas), os estudantes precisam interagir com os fenômenos científicos no seu dia a dia, avaliando, planejando experimentos, interpretando dados, evidências no contexto na qual estão inseridos e resolver situações problemas ou produzir novos conhecimentos sobre múltiplos fenômenos.
Percebe-se ainda, nas escolas públicas, que permeiam remanescentes estratégias reducionistas, mecanicistas, outrossim, repetindo fórmulas prontas em detrimento de novas produções científicas, naturalmente, precisamos de jovens letrados cientificamente.
Na categoria Leitura, o Exame do Pisa exige que os participantes tenham o domínio de três aspectos da leitura, tais como: localizar informações, integrar e interpretar, refletir e analisar as mesmas em todas as dimensões. No contexto escolar da Educação Básica Brasileira ocorre essas ações?
É perceptível avanços ao longo da educação brasileira, mas lamentavelmente, configura-se estudantes que não conseguem buscar informações implícitas/explícitas em textos de pouca complexidade, quiçá, argumentar e resolver problemas, a partir de uma determinada produção textual. Ação assim fez com que 55,99% dos nossos estudantes ficassem abaixo do nível de Proficiência.
Quando está em questão a Matemática, o Brasil tem o menor indicador. Todavia, nos aspectos matemáticos o estudante é avaliado nas habilidades: formular, empregar, interpretar e avaliar problemas, em outras palavras, concebe-se que a maioria dos educandos brasileiros não consegue formular um problema do seu contexto diário e apreender que a Matemática está além dos muros das escolas.
O resultado disso é que 70% dos alunos no país estão abaixo do nível de proficiência nessa disciplina. Procurar culpados? Não.
Essa ação sempre foi praticada pelos governantes, culpabilizando somente os profissionais da educação, isentando a sua parcela de responsabilidade.
Na verdade, é preciso um trabalho em conjunto com todos os envolvidos no processo de aprendizagem: Família (corresponsabilidade), Aluno (comprometimento em todas as dimensões), Governo (políticas de valorização da educação) e Profissionais da Educação (Comprometimento em busca de resultados).
Ressaltando o estudioso Piaget: "a principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram". Consoante a frase de Piaget, se faz necessário uma reflexão/ação/reflexão sobre a Educação Básica, uma análise que envolva todos responsáveis, acima mencionados, uma educação condizente com o século XXI, caso contrário estaremos fadados à produção do fracasso escolar, e mais, com a concordância de todos os envolvidos. Acorda Brasil!!!