OK

Copyright TodoDia Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização por escrito do TodoDia Online.

Close

Comédias estão cada vez mais dramáticas, diz executiva

Cultura e Entretenimento

FOLHAPRESS SÃO PAULO | 08/06/2018-22:32:03 Atualizado em 09/06/2018-16:43:31
Reprodução | Facebook
VEEP | Série tem saltos consistentes entre uma temporada e outra

As comédias americanas estão esgarçando fórmulas antigas da sitcom, e a obrigação da piada por minuto acabou saindo de foco.
Amy Gravitt, vice-presidente executiva de programação da HBO, atribui esse fenômeno a uma qualidade que foi roubada dos dramas: as situações ainda têm um peso em cada episódio dos programas cômicos, mas os roteiros passaram a dar mais valor ao enredo e às progressões de trajetórias dos personagens.
O gênero "está cada vez mais focado em suas histórias", resume Gravitt, citando "Veep" e "Silicon Valley", dois produtos cômicos na grade da HBO.
É possível pegar o velho "Friends", um clássico da comédia, como contraponto: verdade que o casamento entre Monica e Chandler crava no meio da velha série da NBC (hoje disponível na Netflix) uma mudança e tanto.
Mas as experiências dos seis amigos nova-iorquinos costumam se resolver entre o início e o fim de cada capítulo. As curvas existiam, mas eram lentas, o que permitia ver os episódios isoladamente.
Centrado na vida de uma figura política ficcional dos Estados Unidos, "Veep", que é exibida desde 2012, tem saltos consistentes entre uma temporada e outra (atualmente, é a sexta que está em exibição).
Coloca-se no centro da história uma personagem que, politicamente, tem papel secundário. Julia Louis-Dreyfus interpreta uma vice-presidente dos Estados Unidos de perfil patético, amparada (e constantemente atropelada) pelo teatro das relações de poder.
O espectador observa a ascensão da personagem, cujos objetivos profissionais sempre vêm em detrimento da vida íntima. Dreyfus levou seis prêmios Emmy pelo papel.
Para Gravitt, o que torna a série interessante são peculiaridades que a aproximam de um drama.
"Se você está vendo [uma história] sobre uma personagem do governo, você tem algo a mais ali", diz Gravitt, referindo-se às narrativas que se entrecruzam no período de um mandato. "Você investe em uma história de comédia como se ela fosse um drama, pois existe uma camada a mais em cima daquilo que faz você rir", explica.
Para "Sillicon Valley", exibida desde 2014, vale o mesmo princípio. A série tem uma grande virada logo no primeiro capítulo, quando um programador desimportante de uma startup descobre um algoritmo revolucionário, e seu achado passa a ser disputado por grandes empresas.
Os nerds de "The Big Bang Theory" demorariam séculos para um feito igual.
O que não mudou foi a longevidade dos produtos cômicos. "Por que comédias duram mais?", a reportagem questiona. A sétima e última temporada de "Veep" está prevista para o segundo semestre. ''Silicon Valley" está na quinta.
"As séries surgem a partir de uma demanda da HBO sobre um tema?", questiona a reportagem. Gravitt diz que não, que a metodologia do canal para apostar em um programa é a de ouvir propostas de roteiristas. "Mas há exceções. Antes de "Silicon Valley" já queríamos falar sobre tecnologia."