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Trump diz que protege 'joias da coroa'

Brasil e Mundo

folhapress washington | 15/06/2018-22:19:54 Atualizado em 15/06/2018-22:11:27
Divulgação
SEM CONVERSA | Trump anunciou sobretaxas de itens chineses

Em novo ataque à política comercial da China, o presidente americano Donald Trump, que anunciou mais sobretaxas ao país asiático, desta vez em produtos de tecnologia, disse ontem que está protegendo "as joias da coroa" com a medida.
"Nós temos os melhores cérebros no Vale do Silício. São as joias da coroa para esse país. E nós vamos protegê-los", afirmou, durante entrevista à emissora Fox News.
O governo dos Estados Unidos acusa a China de roubo de propriedade intelectual, por meio de acordos com empresas de tecnologia americanas que exigem a transferência de conhecimento para estatais do país.
Por isso, as tarifas de 25% serão aplicadas a itens chineses como telas do tipo touchscreen, baterias, aeronaves, navios, motores de carros, radares, equipamentos de diagnóstico médico e máquinas agrícolas, entre outros.
A lista deixou de fora, porém, produtos comprados diretamente por consumidores americanos, como celulares, TVs e medicamentos -além de armas, que estavam no primeiro rol de punições, anunciado em abril.
As sobretaxas começam a valer no dia 6 de julho.
A medida não foi recebida com unanimidade entre os "cérebros do Vale do Silício".
Há preocupação de que isso aumente os preços para os consumidores no mercado interno, o que não se dissipou com o anúncio das exclusões pelo governo dos EUA.
"Ele está tirando dinheiro do bolso de americanos", afirmou, em nota, o presidente do ITI Conselho da Indústria de Tecnologia da Informação (ITI, na sigla em inglês), Dean Garfield, que representa empresas como a Apple, Google, Dell e HP.
Segundo Garfield, mesmo tarifas sobre itens como sensores e componentes de impressoras já aumentam os custos de produtos do dia a dia, a despeito das exclusões anunciadas pelo governo.
Trump afirmou à Fox News que a medida protege a balança comercial americana e corrige um desequilíbrio nas importações chinesas, que superam as exportações dos EUA para o país.
Na prática, a iniciativa também faz parte de uma investida dos EUA contra o poderio econômico chinês, que o governo Trump já qualificou como "uma ameaça à influência e aos interesses americanos".
"O governo da China está trabalhando agressivamente para minar as indústrias americanas de alta tecnologia e nossa liderança econômica", afirmou Robert Lighthizer, que coordena o Escritório de Representação Comercial dos EUA.
Parte dos itens incluídos na medida desta sexta, por exemplo, fazem parte do programa "Made in China 2025", política industrial do governo chinês para promover a liderança do país em setores como robótica, produtos aeroespaciais e veículos elétricos.
No total, as tarifas atingem US$ 50 bilhões em produtos chineses (cerca de RS 188 bilhões) -o que equivale a aproximadamente 10% das vendas para os EUA.