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A mudança está em nós

Editorial

24/05/2018-23:19:16 Atualizado em 25/05/2018-01:00:32

O Brasil não vive um momento de intensa turbulência. Turbulência é algo que vivemos há décadas. O que vivemos atualmente é uma revolta geral provocada pela classe política. Mas esses políticos, a quem costumeiramente as pessoas atribuem a pecha de ladrões, envoltos à corrupção, são, apenas e tão somente, um reflexo da nossa sociedade.
Quando um comerciante aumenta o preço da garrafa d'água porque sabe que a demanda aumentou e prevê faturar mais (como ocorreu em Minas Gerais na ocasião da tragédia do deslizamento de Mariana) ou quando aumenta abusivamente o preço da gasolina em seu estoque se aproveitando da corrida enlouquecida dos motoristas aos postos (como estamos vendo), estes comerciantes em nada se diferem daqueles engravatados que enchafurdam o país em crise.
Nesta linha de pensamento, o ex-vice-prefeito de Nova Odessa, Luciano Domiciano, se manifestou em rede social dizendo que vivemos em um país capitalista ao extremo. "A lei da oferta e procura é uma realidade que precisa, até, ser entendida! Mas os donos de postos de combustíveis, ao subirem os preços em virtude da greve, é de uma safadeza sem tamanho", escreveu.
Centenas de milhares de pessoas compartilham da mesma opinião. Essa safadeza se alastrou pela sociedade como uma metástase. O Brasil virou a terra do "esperto". Tem esperto até pra furar fila em posto de combustível quando há um esforço descomunal para que o Brasil entre nos trilhos.
Essa safadeza é como metástase. Vivemos uma sociedade doentia. Reflexo dessa doença são os valores trocados. Vemos com frequência um conflito entre os chamados "coxinhas e mortadelas". Vivemos uma divisão inexplicável de valores corrompidos em todas as esferas de Poder. Executivo, Legislativo e Judiciário se dividem em questões que em nada, absolutamente nada, beneficiam a coletividade. Temos uma imprensa que, nacionalmente, se não vendida, sofre com os escárnios das autoridades das esferas de Poder. Vemos políticos presos num dia por delegados da Polícia Federal e soltos no outro por ministros.
A solução para tantos desacertos não será fácil. Não é uma medida, ou uma pessoa, que conseguirá por as coisas no eixo. Os próximos dias serão decisivos. O apoio popular é de máxima importância. Não vivemos apenas uma turbulência. Vivemos a pior crise político-institucional da era democrática.
É preciso que cada um de nós tome postura. A mudança que a sociedade anseia está em cada um de nós. Não só nas urnas em outubro, mas sobretudo pelas atitudes que tomamos no dia a dia.