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Greve? Uma visão interdimensional

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Alberto Alves Marques | Professor coordenador da Área de Ciências Humanas na Rede Pública do Estado Paulo - 28/05/2018-22:40:04 Atualizado em 28/05/2018-23:29:20

Na verdade, ao realizar uma análise Sociológica, Histórica, Econômica e Política sobre a Greve dos Caminhoneiros em nosso país, várias considerações poderão ser discutidas. A priori, é de suma importância ressaltar, sobretudo para os desenvolvedores das críticas sumárias e infundadas, que este escritor de artigos de opinião não é contra os movimentos sociais em todas as suas dimensões, ao contrário, defende uma sociedade engajada com a Política como Ciência, elemento em potencial na busca de uma sociedade justa em todas as categorias.
Dessa forma, a Greve dos Caminhoneiros encaixa nessa categoria, e seguindo a nossa linha de raciocínio, é preciso deixar de conclusões parciais sobre a questão. Assim, ao traçar uma visão sociológica analítica, a sociedade brasileira, ao longo dos anos, conviveu com os aumentos do combustível, e paralelamente, deu aval e elegeu pessoas para ocupar cargos Políticos que, a bem da verdade, nunca se preocuparam com o bem-estar da população.
Diante desse fato, foi preciso chegar a esse ponto, e não nos esqueçamos que essas consequências começam nas urnas, no momento em que a população através do seu voto, concede poder para os governantes. Em contrapartida, agora, não se encontram os responsáveis, e a sociedade bate no peito querendo soluções imediatas, pois os seus carros estão nas garagens impedidos de desenvolver as suas ações, sejam para o lazer ou trabalho. Não obstante, nos aspectos históricos, a sociedade brasileira (não que em outros países não aconteçam) deixou de investir em fontes de energia renováveis, ficando dependente dos combustíveis fósseis, atendendo as exigências dos donos do petróleo, outrossim, sem contar a dependência do transporte rodoviário quando outros meios poderiam ser a solução, quem sabe os oleodutos e os transportes ferroviários.
Todavia, na dimensão econômica, impera na maioria da sociedade no Brasil, paradigmas infundados de que política e economia são categorias separadas, em outras palavras, o mercado não deve estar articulado com a política (governantes). Um pensamento errôneo, visto que a determinação dos preços e de toda circulação no mercado precede-se da política. E a política, como fica nessa questão? Infelizmente, perdura ao longo do tempo em nosso país, o analfabeto político, aquele que diz "odeio Política". Nesse sentido, acredita-se que a política é somente parte dos cargos políticos, isentando, com isso, a população geral sobre a sua participação, seja na escolha dos candidatos, seja na cobrança por meio das manifestações. Diga-se de passagem, os próprios políticos enquadram na categoria analfabetos políticos, pois os mesmos não formulam uma Política de Estado, e sim uma política partidária, destruindo todos os benefícios dos adversários anteriores. Quem perde com tudo isso? A população. Considerações finais: De quem é a responsabilidade das Greves dos Caminhoneiros? Todos nós, pois sociologicamente falando, sempre pagamos preços absurdos nos combustíveis, e sempre elegemos as mesmas pessoas. Considerando a História, propagandeou e propagandeia ainda fontes de energias limpas, no entanto, somos apaixonados pelo petróleo, considerado o termômetro da economia mundial. Separamos a Economia da Política, mas quem controla os salários, preços e outras categorias são os Políticos. A propósito, reclamamos sobre o preço do combustível o tempo todo, entretanto, quando os caminhoneiros resolvem fazer greve, ignoramos e ficamos bravos porque não conseguimos abastecer os nossos carros. Logo, não somos todos analfabetos políticos... como dizia o alemão Bertolt Brecht (1898-1958) em seu texto "O analfabeto político? Segundo ele o Analfabeto Político não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas". Acorda Brasil!!