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Igreja fica lotada de doações e precisa fechar as portas

Brasil e Mundo

THIAGO AMÂNCIO SÃO PAULO | 02/05/2018-22:55:01 Atualizado em 02/05/2018-22:51:30

A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Largo do Paissandu, precisou fechar as portas na manhã desta quarta-feira, 2. Não havia mais espaço para estocar as doações de roupas, alimentos e produtos de higiene que recebe desde o dia anterior, destinados aos moradores do edifício Wilton Paes de Almeida, que desabou na madrugada de terça.
A nave da Igreja está tomada por sacos com comida, roupas e garrafas d'água. Também há pilhas de doações escoradas nas paredes externas. A igreja é usada ainda como base das equipes de segurança que atuam no desmoronamento.
Assistentes sociais da prefeitura orientam que a população deixe doações na Cruz Vermelha. Entre os itens mais pedidos estão produtos de higiene pessoal.
Movimentos sociais organizados, como a UMM (União dos Movimentos de Moradia) e a CMP (Central dos Movimentos Populares) montaram uma tenda em frente à igreja para organizar as doações. Eles também pedem que doadores deixem mantimentos em outros endereços, como o espaço cultural Cisarte, no viaduto Pedroso.
Na tenda, os grupos montaram uma cozinha comunitária, como costuma ocorrer em invasões do MTST. O plano foi atrasado, no entanto, porque o botijão de gás foi roubado. Sem ter como cozinhar, pedem doações de lanches ou comida pronta.
ATÉ BOMBEIROS
Ao longo da manhã, dezenas de pessoas foram ao local deixar doações, desde grupos de igreja e escolas até doadores individuais. Até os bombeiros que atuam no combate ao incêndio receberam ajuda de um grupo de jovens do Templo de Salomão, que levou água, pão e frutas para auxiliar o trabalho das equipes.
"Trouxe umas sacolas com roupas que tinha em casa e não usava. Tem gente precisando e eu posso ajudar", diz o lojista Fernando Almeida, 42.
Um grupo de três estudantes foi levar roupas, travesseiro e cobertores, mas voltaram com as doações, negadas por assistentes sociais. "Vamos levar para a universidade, onde estão recolhendo tudo, e orientar a levarem pra a Cruz Vermelha", disse uma delas.
Os moradores dizem que precisam de tudo: de sapato a um banheiro que possam usar (há banheiros químicos na praça, mas insuficientes para os que ali acampam). Para Jessica Matos, que vivia no prédio havia quase sete anos, a necessidade é outra: "um teto. Um apartamento. Um lugar para morar". | FOLHAPRESS