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O futuro governador e a segurança pública

Opinião

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves | Dirigente da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de SP - 08/04/2018-21:34:47 Atualizado em 08/04/2018-21:31:46

O vice-governador Márcio França, que assume o governo de São Paulo no próximo sábado - com a saída de Geraldo Alckmin para concorrer à presidência da República - tem visão clara sobre a polícia paulista. Em entrevista ao UOL Eleições 2018, o futuro governante, que concorrerá à reeleição, diz que as policias paulistas estão bem estruturadas e declara seu propósito de abortar o crime pela raiz, dando oportunidade ao jovem antes que seja ele atraído para o caminho errado. Também reconhece a necessidade de reajuste salarial ao funcionalismo, prometendo lutar para conseguir aplicá-lo aos holerites ainda durante os 9 meses do atual mandato.
Experiente, França evita comentar a estatística sobre o aumento do número de mortos em confrontos com a polícia e a diminuição das perdas de policiais. Mas é consciente de que a estatística é capaz de apresentar a imagem que o observador deseja ver. Tudo é uma questão de ponto-de-vista. O aumento dos confrontantes mortos e a diminuição dos policiais abatidos, em vez de violência policial, pode representar mais trabalho, eficiência e emprego de meios; o testemunho maior disso está nos presídios cada dia mais lotados de transgressores da lei. A menor letalidade aos policiais é resultante do aprimoramento e melhor aplicação da estrutura e métodos operacionais. A estatística pode servir para referendar tanto as teses favoráveis quanto as contrárias. Já dizia o governador Franco Montoro: se um indivíduo está com a cabeça no forno e o pé na geladeira, a média de temperatura poderá ser muito boa, mas ele estará morto. Logo, além das médias, é preciso observar o contexto e o quadro inteiro para deles tirar conclusões.
SALÁRIOS
Em São Paulo, apesar dos salários aquém do desejado, o governo tem mantido a polícia em franca atividade e, diferente de outras unidades da federação, pago os salários rigorosamente em dia. A liderança do secretário Magino Alves Barbosa Filho, sempre presente, liderando e assumindo a responsabilidades pelas ações da polícia, é um grande fator de estabilidade.
É importante ter claro que São Paulo vive o mesmo problema de segurança pública de todo o país, decorrente da legislação penal (que é federal) leniente e, de tão benevolente aos deliquentes, incentivadora do crime. A crise é esta, oriunda no arcabouço legal. Nada tem de relação com a estrutura de segurança pública do Estado, que mantém suas polícias ativas e comandadas. Os policiais são treinados e motivados para o trabalho dentro da lei e as corregedorias funcionam com toda liberdade para identificar e punir os excessos. Essa autoregulação tem sido fundamental para a queda do número de homicídios e de roubos, também mostrado pelas estatísticas.
São Paulo tem problemas de segurança, é inegável. Mas até o momento tem mantido íntegra a sua estrutura policial. Tanto que, mesmo tendo o maior município e região metropolitana do país, o nível de violência é baixo comparado a outras regiões. Sempre é possível e desejável melhorar e, pelo que já temos de realizações e projeta o novo governador, conseguiremos.