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Diretora faz pensar ao instalar desconfiança no espectador

Cultura e Entretenimento

15/04/2018-18:17:07 Atualizado em 15/04/2018-18:13:03

O terceiro longa de Carolina Jabor trata de um assunto atualíssimo, o linchamento moral feito por meio das redes sociais.
Essa barbárie moderna demonstra que a sociedade contemporânea tem os nervos à flor da pele e está pronta para denunciar, condenar e punir alguém, sem qualquer prova, podendo destruir a vida pessoal, a carreira e a saúde mental de seu alvo.
A narrativa apresenta os fatos de maneira a preservar a ambiguidade dos próprios personagens, pois a intenção não é chegar a uma conclusão -apontar se Rubens é culpado ou inocente -, mas instalar a desconfiança no espectador, fazê-lo pensar.
Assim, não vemos Alex, que jamais se manifesta sobre o caso, contar a história do beijo à mãe (Stella Rabello).
Talvez o menino tenha imaginado tudo, talvez tenha sido uma invenção da própria mãe para pressionar o ex-marido (Marco Ricca) - que considera distante do garoto.
Rubens mostra interesse por Alex, incentiva-o com carinho nas aulas, enquanto o pai é muito mais ríspido e exigente em suas cobranças.
Por outro lado, Rubens faz comentários potencialmente maliciosos sobre uma aluna e tem uma namorada (Luisa Arraes) bem mais nova do que ele, o que serve para alimentar dúvidas sobre uma suposta pedofilia.
Essas ambiguidades são constantemente reiteradas nas cenas na piscina. As imagens subaquáticas são geralmente nebulosas; em outros momentos a água é cristalina, mas oferece efeitos ópticos que distorcem o que se vê, reforçando a dubiedade.
A opção de cultivar ambiguidades é interessante, mas acaba empobrecendo o alcance do filme, pois se faz às expensas do aprofundamento de personagens fundamentais, como Alex e seus pais.
Nada sabemos sobre o comportamento reservado do menino, praticamente mudo ao longo do filme, ou sobre sua relação com o pai. Fica claro que há uma tensão entre seus pais, em conflito por conta da separação, mas nada além disso.
A mãe é igualmente pobre, resume-se a uma pilha de nervos e, depois da explosão do escândalo, se dedica ferozmente a propagá-lo. O pai tampouco é caracterizado a contento. É machista, impulsivo e só.
O personagem da diretora do clube (Malu Galli) - que vive um drama particular, espremida entre a avalanche acusatória dos pais e o direito de defesa de Rubens - tampouco é bem desenvolvido. Mas isso não é tão prejudicial, pois sua função é ter o mesmo dilema do espectador. | FOLHAPRESS