OK

Copyright TodoDia Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização por escrito do TodoDia Online.

Close

Denise Stoklos adapta o romance 'Extinção', de Thomas Bernhard

Cultura e Entretenimento

MARIA LUÍSA BARSANELLI FOLHAPRESS | 14/04/2018-19:20:27 Atualizado em 14/04/2018-19:17:38

Denise Stoklos faz 50 anos de carreira, mas diz usar o meio século não para comemorar, e sim extinguir. É uma autodestruição o que ela coloca em "Extinção", espetáculo inspirado no livro homônimo do austríaco Thomas Bernhard e que a atriz, diretora e dramaturga estreou este mês no Festival de Teatro de Curitiba e que agora está no Sesc Consolação, em São Paulo, onde permanece até o próximo dia 20.
Em seu romance, publicado em 1986, Bernhard desconstrói valores de uma sociedade conservadora. Seu protagonista é a ovelha negra de uma família de latifundiários, que precisa retornar à sua casa depois da morte de parentes. "Ele questiona a família, os afetos. Isso é brutal como proposta, deixa a gente na corda-bamba", afirma Stoklos.
As ações do romance repetem-se em círculo, tornando-se cada vez mais obstinadas e desencadeando pensamentos e reminiscências. Uma estrutura que é replicada na montagem, dando espaço em especial para a voz, a palavra.
Stoklos é criadora do teatro essencial, método que prioriza os recursos do ator e a simplicidade cênica, no qual não é perceptível a construção de um personagem: em cena, a atriz se alterna entre um personagem-narrador e ela mesma.
Como em outros trabalhos, há também textos seus, que trazem questões pessoais e moldam a obra à embocadura da intérprete. "Tudo é ambivalente. Como Bernhard diz, é ficção e é realidade".
Mas, diferentemente de outros trabalhos, em que a artista assumia a encenação e o texto, "Extinção" é feito com parceiros. Tem dramaturgia do psicanalista e escritor Ricardo Goldenberg e direção compartilhada entre Stoklos, Francisco Medeiros e Marcio Aurélio.
"Essa coisa de negar-se a si mesmo, da autodestruição, isso foi uma questão para mim. E me fez pensar que eu poderia usar a ajuda de outros especialistas em áreas do teatro", conta ela.