OK
Close

Filme 'high school', 'Com Amor, Simon' não foge de clichês

Cultura e Entretenimento

LÚCIA MONTEIRO FOLHAPRESS | 08/04/2018-21:34:28 Atualizado em 08/04/2018-21:31:25

Os guarda-volumes para deixar as mochilas estão lá. Os jogos de beisebol também. Animadoras de torcida, idem. Não faltam ainda amolações na cantina, festa de Halloween, ensaios para o musical de fim de ano.
Mesmo que sem despojar-se dos clichês do filme de "high school", "Com Amor, Simon" inova num ponto importante: seu protagonista é Simon (Nick Robinson), um garoto gay que, às vésperas da formatura, hesita em sair do armário.
Relacionamentos homossexuais têm sido frequentes no cinema. É o caso do francês "Azul É a Cor Mais Quente" (2013), de Abdelatif Kechiche, e de grandes sucessos de 2017, como "Me Chame Pelo Seu Nome" (de Luca Guadagnino, rodado na Itália) e "120 Batimentos por minuto" (de Robin Campillo, ambientado na França).
Qual é a novidade, então? Bem, trata-se da primeira vez que um grande estúdio de Hollywood - no caso, a Fox - produz uma comédia romântica voltada para o público adolescente em que o foco se concentra em uma história de amor homossexual.
Não é pouco. "Com Amor, Simon" serve de experiência instrutiva não só para o público jovem, mas também para os pais. Não basta, porém, para alçar à categoria das obras-primas o longa eficiente de Greg Berlanti, conhecido roteirista de séries de TV (como "Dawson's Creek" e "Animais Políticos").
Não é difícil identificar- se com o protagonista. Na sequência inicial, ele resume, em off, sua vida aos espectadores: "Sou um garoto normal, exatamente como você, exceto por guardar comigo um segredo enorme". O trajeto para a escola na companhia dos melhores amigos rende tiradas espertinhas, embaladas pela trilha sonora bem escolhida por Simon.
Algo falta à trama, infelizmente. Baseado no romance da psicóloga Becky Albertalli, lançado no Brasil com o mesmo título do filme, "Com Amor, Simon" sofre pelo excessivo "bom-mocismo" do enredo. A família do protagonista é compreensiva; o pai (Josh Duhamel) chega a pedir desculpas pelas piadas homofóbicas.
TUDO CERTINHO
O quarteto formado por Simon e seus amigos conta exatamente dois brancos e dois negros. Ninguém dirige após beber, não há sinal de drogas e não se nota pobreza. O conflito se concentra na relação e-pistolar entre Simon e um misterioso "Blue", após este revelar-se gay no blog do colégio.
É difícil permanecer indiferente diante da bem escrita e tocante correspondência entre os dois. Não há, porém, grandes embates com o mundo real. Nesse ponto, o "coming out" do filho do professor de filosofia da série catalã "Merlí", também voltada para o público "teen", consegue inserir-se em uma teia mais complexa de elementos.