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Plantão fantasma no HM engordava caixa da Plural

Cidades

CRISTIAN EDUARDO BARBOSA AMERICANA | 10/04/2018-23:12:46 Atualizado em 10/04/2018-23:11:17
TODODIA Imagem
FICÇÃO | Plural inventava plantões, diz ex-funcionário em CEI

O depoimento voluntário do médico Luciano Braga na manhã desta terça-feira, 10, à CEI da Saúde, em Americana, resultou em uma nova acusação que atinge diretamente a Associação Plural e, por consequência, também a Prefeitura. Segundo o profissional, a organização social responsável por contratar médicos para o Hospital Municipal nos anos de 2016 e 2017 produzia "escalas fantasmas" para obter o pagamento de plantões não realizados e cujo dinheiro cobria outros custos da Plural com médicos. O caso, inclusive, estaria sob investigação do Ministério Público.
Braga fez a revelação em depoimento à CEI constituída pela Câmara de Vereadores para investir possíveis irregularidades na gestão do Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi e na Fundação de Saúde de Americana (Fusame). Segundo o médico, funcionários da Plural eram orientados por Olavo Tarricone, homem forte da organização social, a escalar médicos em dias em que não haviam trabalhado como forma de receber do Poder Público e pagá-los por plantões nos quais foram responsáveis por dois tipos de especialidades.
"Se numa terça-feira eu não estava trabalhando, mas na quarta exercia duas funções, colocavam como se eu estivesse na terça também", relata em depoimento gravado pelos vereadores. De acordo com Braga, isso aconteceu em várias oportunidades nas quais ele e outros colegas cobriram furos da escala. "Chegava o fim do mês, eu conferia o número de plantões e o valor recebido e estava tudo certo", conta.
ARTIMANHA
Chamado a depor no Ministério Público, Braga disse ter relatado exatamente o ocorrido e que assinava os comprovantes da maneira como era orientado por Tarricone. "Ele deliberadamente usava dessa artimanha, inclusive nos envolvendo", acusa. Braga relatou ainda que no mês de dezembro de 2016 trabalhou sozinho no HM e, inclusive, teria recebido elogios públicos de Tarricone.
Mas, em março, depois de sair em férias, foi informado por telefone que não fazia mais parte da Plural. Segundo o médico, nenhuma justificativa foi apresentada. Disse ter ficado sem receber o correspondente aos meses de dezembro de 2016 e janeiro e fevereiro de 2017. "Simplesmente, fiquei sem nada. Ouvi dizer que teria cometido uma irregularidade, mas nunca fui chamado para explicarem o que aconteceu", diz
Braga, em resposta ao vereador Gualter Amado (PR), disse ter emprestado seu CNPJ a colegas para receberem pelo trabalho do mês e que a prática não tinha nenhuma irregularidade. A reportagem tentou contato com Tarricone até o fechamento desta reportagem, mas não obteve retorno.
INVESTIGAÇÃO
Com os depoimentos de Braga e de Sérgio Luis Mancini, presidente da Fusame, a presidente da CEI, Maria Giovana Fortunato (PCdoB), considerou grave a denúncia. "É um crime, se isso aconteceu. (...) Uma história muito pior do que imaginávamos", afirma. Para ela, "falta de gestão, falta de compromisso com a saúde de Americana".
A Prefeitura foi procurada para se manifestar sobre o assunto, mas não retornou até o fechamento desta matéria.