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Diferença salarial gera ineficiência econômica

Empregos

ÉRICA FRAGASÃO PAULO | 07/04/2018-17:34:53 Atualizado em 07/04/2018-17:47:29
Reprodução | Governo do Paraná
ECONOMIA | Estudo aponta redução de 1,5% no PIB a cada 10% de diferença salarial

Com cinco anos de carreira, a analista de logística Laíse Pereira, 26, recebe menos que o marido, o estatístico Rafael Ribeiro dos Santos, 29, ganhava com um ano de formado. "Vejo a batalha dela e não me conformo. Sinto na pele a vantagem de ser homem branco em relação a ela, que, além de mulher, é negra", diz ele.
"Sei que a formação importa", diz ele, que estudou na USP. "Sei que a área também influencia. Mas acho que nada justifica a discrepância tão grande", afirma ela, que fez administração na Unip e pós-graduação no Senac.
IMPACTO
Ciente do impacto da desigualdade sobre o orçamento do casal - que ainda não tem filhos -, o estatístico começou a refletir sobre esse custo para a sociedade e resolveu pesquisar o tema durante o mestrado em economia no Insper.
Os resultados da tese recém-concluída confirmaram suas suspeitas: a discriminação contra a mulher no mercado de trabalho reduz o crescimento econômico.
Segundo o estudo, entre 2007 e 2014, cada 10% de aumento na diferença entre salários - que tenha relação com o preconceito de gênero - reduz em cerca de 1,5% a expansão do PIB per capita dos municípios brasileiros.
CAPITAIS
Entre as capitais do país, Curitiba tinha a maior diferença em 2007. O sexo do trabalhador explicava 28% do hiato de remuneração entre homens e mulheres.
São Paulo exibia o terceiro pior indicador em 2007: 23%. Para ter uma ideia do efeito econômico disso, se a capital paulista tivesse, naquele ano, o mesmo indicador que Florianópolis, 15,4%, a renda média dos paulistanos subiria de R$ 52.797 para R$ 53.258 em 2014.
DESCOBERTA
"É uma descoberta importante. Mostra que a discriminação contra a mulher não é apenas questão de injustiça social. Também gera ineficiência econômica", diz a pesquisadora Regina Madalozzo, que orientou a tese de Santos. | FOLHAPRESS