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Jungmann determina que PF investigue vazamento em inquérito sobre Temer

Brasil e Mundo

TALITA FERNANDES BRASÍLIA | 27/04/2018-22:37:01 Atualizado em 27/04/2018-22:34:20
SIGILO | Jungmann: ministro pede punição para "violação do sigilo"

O ministro Raul Jungmann (Segurança Pública) determinou que a Polícia Federal apure um possível vazamento de informações de um inquérito no qual o presidente Michel Temer é investigado.
A decisão ocorre a pedido do próprio presidente depois de a Folha de S.Paulo ter publicado nesta sexta-feira, 27, reportagem que mostra que a PF quer dar continuidade a uma investigação contra ele por suspeita de crime de lavagem de dinheiro.
"No Estado democrático de Direito não é admissível comprometer o legítimo direito de defesa e a presunção de inocência de qualquer cidadão ou do senhor presidente da República", diz nota assinada por Jungmann.
"A violação do sigilo profissional pelos responsáveis pela condução dessa ou de qualquer outra investigação é conduta passível de sanção administrativo-disciplinar, cível e penal. Além disso, depõe contra o reconhecido profissionalismo das instituições investigadoras."
Reportagem publicada pela Folha mostra que a Polícia Federal pediu a prorrogação de um inquérito contra o presidente que apura lavagem de dinheiro. Ainda na manhã desta sexta, Temer fez um pronunciamento à imprensa em resposta à reportagem e disse ser vítima de perseguição criminosa disfarçada de investigação.
"Como que a imprensa consegue essas informações? Eu duvido que a imprensa entre de madrugada, seja na Polícia Federal, onde seja, para sorrateiramente ter acesso a esses dados. Alguém naturalmente vaza esses dados."
Temer disse ainda que as investigações têm como propósito um ataque moral e sugeriu que Jungmann, que controla a pasta à qual a PF é subordinada, pedisse a apuração do vazamento.
O presidente é investigado no STF (Supremo Tribunal Federal) em um inquérito sobre a edição de um decreto para o setor portuário.
LAVAGEM DE PROPINA
A principal suspeita da PF é de que ele tenha lavado dinheiro de propina no pagamento de reformas em casas de familiares e dissimulado transações imobiliárias em nomes de terceiros, na tentativa de ocultar bens.
Marcela Temer, sua mulher, e o filho do casal são donos de alguns desses imóveis.
Na quinta, a PF enviou ao Supremo um pedido de prorrogação do prazo do inquérito, por mais 60 dias.
Até agora, a investigação aponta que o presidente recebeu, por meio do coronel João Baptista de Lima Filho, ao menos R$ 2 milhões de propina em 2014.
Nesta segunda fase, o objetivo dos investigadores é aprofundar a conexão entre os serviços prestados aos familiares de Temer e concluir a análise de material apreendido com alvos da operação Skala, deflagrada no fim de março.