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Sem-teto invadem tríplex em Guarujá em protesto contra prisão de Lula

Brasil e Mundo

16/04/2018-16:59:50 Atualizado em 16/04/2018-17:00:47

CATIA SEABRA E MÔNICA BERGAMO, GUARUJÁ, SP (FOLHAPRESS)
Em uma ação que consumiu menos de cinco minutos, cerca de 30 militantes sem-teto invadiram nesta segunda (16) o apartamento tríplex atribuído ao ex-presidente Lula e pivô de sua condenação na Lava Jato.
O grupo -que permaneceu no local por duas horas e quinze minutos- faz parte do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), coordenado por Guilherme Boulos, pré-candidato à Presidência pelo PSOL e uma das lideranças sociais mais próximas de Lula.
“É uma denúncia da farsa judicial que levou Lula à prisão. Se o tríplex é dele, então o povo está autorizado a ficar lá. Se não é, precisam explicar por que ele está preso", diz Boulos.
A ação foi acompanhada pela reportagem da Folha de S.Paulo. Cerca de cem pessoas, divididas em 20 carros, chegaram ao edifício Solaris de madrugada para o ato.
Uma parte do grupo, cerca de 30 militantes, pulou as grades de acesso ao prédio e subiu 16 lances de escada. Ao chegar ao apartamento, após arrombamento da porta, os militantes encontraram uma geladeira, um fogão e um micro-ondas, além de camas.
Eles fixaram bandeiras do movimento na varanda com vista para o mar. Da sacada do prédio, gritam: "Não tem arrego. Ou solta o Lula ou não vai ter sossego".
Integrante da Frente Povo Sem Medo, da qual o movimento faz parte, Andreia Barbosa afirma que o grupo ficará o tempo que for necessário para fazer uma demonstração de que Lula é inocente. "Se o apartamento é do Lula, ele que peça a integração de posse", diz Andreia.
Um representante do condomínio bateu na porta, que esta travada por um pedaço de madeira, e perguntou se os militantes tinham ciência de que estavam cometendo um crime. Em resposta, ouviu que só deixarão apartamento com decisão judicial.
Com a chegada da Polícia Militar ao local, o MTST concordou em sair do tríplex. Os militantes deixaram o edifício pelas escadas, seguindo roteiro acertado entre advogados e Polícia Militar.
ALIADO
Boulos esteve ao lado de Lula o tempo todo no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, nas horas que antecederam a prisão, e mobilizou integrantes de um acampamento próximo para engrossarem as manifestações em torno do prédio que pediam que o petista não se entregasse.
No dia da prisão, ao discursar em uma missa em homenagem a dona Marisa, Lula chamou Boulos para a frente do caminhão de som e disse que ele tinha "futuro".
Um dia depois, Lurian, a filha de Lula, discursou para integrantes do MTST, agradeceu o apoio e disse que Boulos era como "um filho" para Lula.
'ESTRAGARAM O PORTÃO'
Moradores relataram susto com a invasão no edifício Solaris. "Eles forçaram a entrada, entraram pela garagem. O portão não estava estragado, ficou agora. Foi um susto muito grande", diz Renata Simões, 36.
Elenice Soares Medeiros, 66, disse ter se sentido humilhada e com medo pela invasão. "Lógico que ficamos com medo, todo mundo ficou com medo. Entra cem pessoas dentro de um condomínio para você ver? Tenho 66 anos, o meu coração e a minha pressão foram a mil", disse.
Segundo ela, o grupo passou pelo seu andar até chegar ao tríplex sob investigação, atribuído ao presidente Lula. "Eles foram para a escada, invadiram o condomínio. Senti a gritaria e vi eles invadindo aqui. Portão da garagem quebrou, o portão de acesso. Tivemos medo, eles entraram na nossa casa".

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