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Futuro do Facebook está em risco em meio a escândalo da venda de dados

Brasil e Mundo

SILAS MARTÍ NOVA YORQUE | 15/04/2018-18:17:11 Atualizado em 15/04/2018-18:12:54
Apec | Peru
FACEBOOK | Perda de bilhões

Ninguém mais curte o Facebook. Seus "dias de glória já chegaram ao fim" e o "futuro será doloroso" para a maior rede social do mundo. Nem mesmo a carinha vermelha de raiva da plataforma é capaz de expressar o que o historiador britânico Niall Ferguson, com 30 mil seguidores ali, sente em relação ao Facebook no rastro do depoimento de seu criador, Mark Zuckerberg, a senadores e deputados americanos em Washington na semana passada.
O autor de uma série de livros sobre assuntos como a história do dinheiro, a ascensão do poder e da influência das civilizações ocidentais e, por último, um volume sobre o que chama de falso mito da promessa de um mundo hiperconectado não desgrudou os olhos de Zuckerberg durante a audiência.
A sabatina do empresário foi o clímax de semanas de críticas severas ao Facebook - desde que foi revelado que dados pessoais de 87 milhões de usuários da plataforma haviam sido desviados por uma consultoria política para manipular as eleições americanas a favor de Donald Trump.
"O Facebook não é mais amado, e essa tempestade de más notícias vai afetar muito seu crescimento", diz Ferguson. "Os mais jovens já não entram mais no Facebook, e a empresa ainda vai sofrer uma perda de impulso, que é o que acontece quando um negócio trai consumidores."
Mas tudo isso vai demorar. Na opinião de Ferguson, Zuckerberg saiu vitorioso de sua visita ao Congresso, fazendo concessões mínimas.
"Já ouvimos suas promessas e desculpas outras vezes", afirma o historiador. "Mas parece que ele está caminhando para aceitar uma versão diluída de proteção de dados na tentativa de evitar regras mais duras. Só fiquei surpreso quando ele respondeu sim à pergunta sobre se ele se sentia responsável pelo conteúdo publicado na plataforma."
Isso porque seria "explosiva", na visão do autor, uma mudança no entendimento sobre o que são as redes sociais. Na lei americana atual, empresas de tecnologia não são consideradas responsáveis pelo que é publicado, mas Zuckerberg parece ter aberto o caminho para revisões.
"De repente, o Facebook poderia ser responsabilizado por um volume de conteúdo impossível de monitorar, mesmo que por 10 mil ou 20 mil trabalhadores", avalia Ferguson. "Isso teria impacto em seu modelo de negócios."
Esse impacto em potencial já causou pânico entre os acionistas do Facebook, que perdeu o equivalente a quase R$ 300 bilhões em seu valor de mercado.