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Intervenção não trará resultados, diz especialista

Polícia

folhapress são paulo | 08/03/2018-22:53:19 Atualizado em 08/03/2018-23:03:02
REVISTA | Soldado do Exército revista morador da Vila Kennedy

Devido ao pouco tempo de preparação para a intervenção federal no Rio de Janeiro, as Forças Armadas não puderam se organizar e estruturar suas ações, na tentativa de resolver um problema de segurança pública que vem se desenvolvendo ao longo de décadas.
A avaliação do sociólogo Michel Misse, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), e do coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo José Vicente da Silva Filho é de que a intervenção não deve trazer resultados estruturais para a segurança pública do Rio.
Os especialistas participaram de debate nesta quarta-feira,7, no Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), realizado pela instituição em parceria com a Folha de S.Paulo. A mediação ficou a cargo da jornalista Fernanda Mena.
Com a escalada nos índices de violência no estado, o presidente Michel Temer (MDB) decretou em fevereiro a intervenção federal na segurança pública do Rio, iniciativa inédita no país e que contou com o apoio do governador Luiz Fernando Pezão (MDB).
Misse afirmou que as Forças Armadas não querem nem devem atuar na segurança pública brasileira. Além da necessidade de maior planejamento das ações, ele citou como problema a falta de treinamento específico para lidar com situações de abordagem de civis, às quais a polícia está habituada.
De acordo com Misse, a ação do Exército deve aumentar "momentaneamente a sensação de segurança da população, mas não haverá tempo nem recursos suficientes para reestruturação da polícia no estado. "Se eu pudesse sugerir algo ao general [o interventor federal Walter Souza Braga Netto], diria para manter as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora)", afirmou.
"Sou defensor do modelo porque elas interrompem os ciclos de invasões policiais nas comunidades e oferecem certa proteção aos traficantes, que não precisam se preocupar com a invasão de outras quadrilhas e com operações policiais arbitrárias, diminuindo a violência."
INTERAÇÃO
Outra ação considerada essencial pelo sociólogo é promover a aproximação dos policiais com os moradores das comunidades. "Não tem polícia do mundo que consiga operar de forma eficiente sem a colaboração da população".
Ele também classificou a intervenção como uma salvação para o governo do estado, que, devido à crise, vinha encontrando dificuldade para responder às exigências de políticas públicas, com destaque para a segurança. "Para o governo federal também foi um excelente negócio", afirmou. "Com a incapacidade de obter aprovação para a reforma da previdência e uma pauta de corrupção se aproximando, era preciso mudar o tema para essa área muito sensível da segurança, que todos os brasileiros consideram prioridade. Foi uma jogada de mestre de Temer, do ponto de vista político."