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Sétima edição do Lollapalloza no país terá 33% dos shows de artistas locais

Cultura e Entretenimento

THALES DE MENEZES FOLHAPRESS | 11/03/2018-21:20:06 Atualizado em 11/03/2018-21:17:52

São 24 atrações divididas em três dias de shows. Como destaques, o fenômeno eletrônico Alok, a contundência de Mano Brown e Rincon Sapiência, as divas do indie Tiê e Mallu Magalhães, o iê-iê-iê cult do trio O Terno e o pandemônio dançante Tropkillaz.
O maior evento paulistano de rock e pop nacional da temporada está programado para os dias 23, 24 e 25 deste mês, no Autódromo de Interlagos.
Ah, sim, nas mesmas datas e no mesmo local será realizado o Lollapalooza 2018.
Apenas uma brincadeira, a ideia de isolar artistas e bandas nacionais desta que será a sétima edição do festival do país expõe a maior participação dos brasileiros na história do Lolla.
Antes, o recorde pertencia às 18 atrações nativas apresentadas na segunda edição, em 2013, não por coincidência a única que também teve três dias de shows, como nesta versão 2018. Nos outros anos, foram apenas dois dias.
72 SHOWS
As fatias brasileiras nos dois primeiros anos do Lolla, em palcos no Jockey Club de São Paulo, em 2012 e 2013, corresponderam a 30% das atrações. Neste ano, com 72 shows no programa, o percentual ultrapassa 33%.
O festival não comenta sua política de convites às atrações nem divulga cachês. O aumento nos dias de programação pode ter aberto espaço para bandas nacionais, teoricamente mais baratas.
É inegável que os cerca de 90 mil ingressos por dia serão vendidos pela força dos headliners americanos Red Hot Chili Peppers, Pearl Jam e Killers. Mas um hipotético festival montado com os brasileiros, encabeçado por Alok e Mano Brown, poderia lotar um espaço não tão grande.
A distribuição das atrações nos quatro palcos deste ano repete a opção de jogar as bandas nacionais para os horários vespertinos, como "esquenta" dos artistas de fora.
A exceção é Alok, que encerra a programação de som eletrônico no palco Perry's by Doritos na sexta, 23, dia de abertura, às 22h.
Ele se apresenta no mesmo horário que o Red Hot Chili Peppers, mas a experiência de anos anteriores mostra que os dois palcos devem ficar lotados. A presença da tribo eletrônica é maciça no festival.
Descontada a performance de Alok, o único brasileiro que vai tocar ao pôr do sol é Mano Brown, no domingo, 25, quando sobe ao palco Axe às 18h20.
Mesmo nomes bem populares como Mallu Magalhães, O Terno e Tiê, se apresentam antes das cinco da tarde.
TAREFA INGRATA
Mais difícil é a missão de quem abre as atividades em Interlagos, com shows entre 11h30 e 12h30. Muitas vezes sob sol bem forte, esses heróis tocam para pouca gente.
Além de o público estar apenas começando a chegar (os portões abrem às 11h), os primeiros a entrar no autódromo querem mais é andar pelo lugar, conhecer lojas e estandes e já comprar alguma coisa para comer e beber. Só quem é fã mesmo cruza metade do autódromo para já colar em um dos palcos.
Quem segura essa tarefa neste ano: na sexta, os paulistanos do Nem Liminha Ouviu e os amazonenses do Luneta Mágica; no sábado, os cariocas do Ventre e a mineira Mayra Cruz, que apresenta som eletrônico sob o nome Devochka; no domingo, o combo brasileiro-mexicano Francisco, el Hombre e os cariocas do Braza.
Para eles, o tamanho da plateia não importa diante da alegria de pôr uma participação no Lolla no currículo.
"Quando soubemos que íamos tocar no Lolla, a gente estava chegando a um festival no Chile, numa fazenda. Ficamos felizes, tiramos a roupa e pulamos no lago", conta Mateo Piracés-Ugart, do Francisco, el Hombre. "Vamos acabar nosso show e sair correndo para ver o do Braza".
Para os brasileiros, estar no Lolla é visto como passagem para voos mais altos.
Sapulha Campos, integrante do Plutão Já Foi Planeta, revela o entusiasmo da banda de Natal.
"As expectativas de tocar no Lolla são as maiores e melhores possíveis! Desde o começo tínhamos esse sonho de tocar em grandes festivais. A gente sabe o peso que vai ter na história da banda e sabe que isso acarretará mais shows, mais visibilidade".
O Plutão Já Foi Planeta é estreante no evento, mas algumas atrações desta edição voltam ao Lollapalooza.
O folk do Vanguart esteve no festival em 2013. No ano seguinte, o line-up teve o DJ mineiro FTAMPA e o quarteto cearense de rock Selvagens à Procura de Lei. Em 2015, Nem Liminha Ouviu e o Terno se apresentaram. Já o rock acelerado do Ego Kill Talent e os beats de Alok marcaram presença em 2016.
POLÊMICA
No primeiro Lolla no Brasil, em 2012, a escalação dos brasileiros nos horários mais ingratos da programação rendeu polêmica entre Lobão e o americano Perry Farrell, vocalista da banda Jane's Addiction e criador do evento nos Estados Unidos, em 1991.
Lobão recusou o convite para se apresentar no início da tarde e criticou os organizadores em entrevistas.
Perry Farrell retrucou em declaração à reportagem: "Ah, o carinha que ficou bravo? Vou dar um conselho a ele: grave um disco muito bom, um que todo mundo ame, e faça as pessoas quererem vê-lo ao vivo. Então ele poderá ser headliner de um festival".
Em todas as praças para as quais se expandiu - tem edições anuais em Santiago, Buenos Aires, Berlim e Paris -, o Lollapalooza continua escalando atrações locais para os shows de abertura.