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Tolerância zero para o assédio

Especiais

FLAVIA LIMA SÃO PAULO | 17/03/2018-21:52:54 Atualizado em 17/03/2018-21:45:22
Reprodução
CULTURa| Empresas precisam de nova cultura e instrumentos para o combate ao assédio

Em tempos de reação global, as empresas precisam se envolver com mais intensidade no combate ao assédio moral e sexual para que funcionários de ambos os gêneros se sintam mais protegidos e, assim, trabalhem melhor.
A defesa foi feita por Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, em painel sobre combate a abusos no ambiente corporativo da versão latino-americana do Forúm Econômico Mundial, ocorrido nesta semana em São Paulo.
"Quem decide o mercado hoje são as mulheres", disse Trajano, reforçando a necessidade de que sejam ouvidas também no ambiente de trabalho. O Magazine Luiza tem 52% de mulheres. "Homem foi acostumado a dar cantada, então estamos falando pra eles pararem de dar cantada se não vão perder emprego no mundo todo. Cantada não é legal." Segundo Trajano, o avanço é mais rápido quando as empresas entram no movimento contra o assédio, com instrumentos como canal de denúncias e pesquisas. "E não é algo caro", disse.
Segundo a empresária, o Magazine Luiza criou um disque denúncia há cerca de 8 meses e, entre janeiro e fevereiro deste ano, promoveu conversas sobre assédio entre líderes e subordinados. Das 90 denúncias recebidas até hoje, afirmou, 30% foram feitas por homens.
Na pesquisa em que 18 mil pessoas foram ouvidas foi constatado que o assédio moral é mais claro que sexual. E que os funcionários reconhecem o assédio como "brincadeiras no ambiente de trabalho" e o rechaçam.
A exposição indevida do funcionário e o contato físico indevido também foram apontados como algo negativo. Trajano disse que a empresa trabalha num processo educativo para trazer à tona os problemas. "Medidas serão tomadas posteriormente e são inegociáveis", disse.
Presente ao painel, o vice-presidente da Western Union, Ricardo Amaral, disse que a política nas empresas têm que ser de "tolerância zero". "A política mais importante é se dar conta, não ocultar", disse.
Segundo Amaral, a empresa também monitora o fato de que há poucas mulheres em cargos diretivos e desenvolveu um processo interno para identificar mulheres de alto potencial e juntá-las para que avancem. Segundo ele, as empresas mais diversas têm desempenho de 15% a 25% melhor.
Para Andrea Grobocopatel, da W20 Argentina, grupo de influência de gênero do G20, disse que os sindicatos também precisam se envolver na luta contra o assédio e a violência de gênero, em especial nas pequenas empresas.
A executiva, herdeira do grupo do setor de agronegócio Los Grobo, disse também que a inclusão das mulheres não se trata só de um direito, mas de oportunidade de tornar as companhias mais rentáveis.
| FOLHAPRESS