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PSOL oficializa Boulos, líder do MTST, como pré-candidato à Presidência

Brasil e Mundo

GÉSSICA BRANDINO SÃO PAULO | 10/03/2018-18:13:33 Atualizado em 10/03/2018-18:10:49

O líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) Guilherme Boulos, 35, foi escolhido neste sábado, 10, como pré-candidato do PSOL à Presidência da República. Boulos -que se filiou ao partido na segunda (5)- obteve 69% dos votos dos 126 representantes da Conferência Nacional Eleitoral da sigla. O pré-candidato afirmou que defenderá uma plataforma de governo que beneficie a maioria da população.
O restante dos votos dos integrantes do partido foi distribuído entre Plínio de Arruda Sampaio Jr. (21%), conhecido como Plininho, Hamilton Assis (6%) e abstenções (4%). Nildo Ouriques e a indígena Sônia Guajajara, que inicialmente se inscreveram para o processo de escolha, se retiraram da disputa. Guajajara foi escolhida vice na chapa de Boulos.
O processo de escolha de Boulos foi questionado pelos demais candidatos à vaga no PSOL. Tanto Plininho quanto Hamilton defenderam a realização de prévias, mas em conferência em dezembro os representantes do partido optaram pela realização de uma conferência nacional para definir o candidato.
Após a escolha, Plininho manteve as críticas à candidatura de Boulos. Na quinta, o economista realizou um ato contra a candidatura de Boulos com o mote "Fora Lula do PSOL". O integrante do partido, filho de Plínio de Arruda Sampaio (1930 - 2014) -presidenciável do PSOL em 2010- falou que o processo foi de cartas marcadas e que a escolha estava sendo enfiada goela abaixo. "A candidatura de Boulos nasce com um déficit de legitimidade", declarou.
Vice de Plínio em 2010, Hamilton afirmou que o processo afetou a democracia interna do partido e que não aprofundou a discussão sobre o programa da campanha.
Em conversa com jornalistas, o presidente do partido, Juliano Medeiros, disse que os outros pré-candidatos tiveram espaço durante a conferência para apresentar divergências e que agora o partido se uniria em torno da candidatura de Boulos. "PSOL marcha unido a partir de amanhã em defesa dessa chapa. Essa é a chapa de todo o PSOL", afirmou.
ESTRANHO NO NINHO
Plininho, porém, reluta em seguir a orientação do partido. "Tenho muita dificuldade de ser Boulos, porque para ser Boulos precisaria que ele tivesse passado pelas instâncias reais do partido. O Boulos é um ser estranho ao partido", disse, afirmando que continuará "contra o lulismo, com Lula ou com Boulos".
Questionado sobre a declaração de apoio que recebeu denLula, Boulos voltou a declarar que o partido defende a candidatura do petista por entender que a condenação do ex-presidente foi injusta e sem provas."Achamos que defender o direito de Lula ser candidato e denunciar uma situação em que o Judiciário toma o papel de partido político e condena por casuísmo para tirar alguém do processo eleitoral, isso é uma coisa e tem ampla unidade, que deve ser não só da esquerda, mas de todos que defendem a democracia no país".