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Café: Da porteira à torra

Clube Gourmet

Texto | Jucimara Lima Fotos | Divulgação | 27/02/2018-22:18:43 Atualizado em 02/03/2018-22:34:53

Ainda na infância o geógrafo de formação e coffee hunter de profissão, Fábio Tadeu Rios (Leia-se Cafe&CO), descobriu o gosto pelo café. Tanto é que já adulto, sempre que viajava, fazia questão de experimentar a bebida por onde passasse. Em uma dessas degustações, na época em que morava em Santa Catarina, acabou enxergando uma oportunidade de negócio, que em pouco tempo viraria a vida dele ao avesso. Tanto, que em apenas dois anos e meio de estudos intensivos, o jovem empreendedor já conquistou o título de coffee hunter, que em tradução livre significa: caçador de café, algo que ele faz com muita desenvoltura. Tendo no currículo cursos de barista, classificador e especialista em torra artesanal, depois de um ano de preparativo, Fábio acaba de lançar seu próprio café especial e será um colaborador do Clube Gourmet. Batemos um papo com ele para saber um pouquinho mais sobre esse universo.
Clube Gourmet - Como você iniciou sua jornada nesse campo de trabalho?
Fábio Tadeu Rios - Comecei com o básico, mas já com produtos diferenciados, que se sobressaia aos tradicionais. Com o tempo fui selecionando alguns parceiros até chegar aqui, fabricando meu próprio café de micro lotes, bem cultivados e bem colhidos. Acompanho todo o ciclo e faço pessoalmente a torra, junto com outros parceiros. É um processo de eterno aprendizado!
No que consiste o trabalho de um coffee hunter?
O meu trabalho, além de captar o café, envolve uma série de coisas, como contato com produtores e técnicas. Também faz parte do que busco, ajudar as pessoas a conseguirem identificar um bom café. Para isso, procuro sempre multiplicar o conhecimento, porque, a partir do momento que você educa seu paladar para tomar uma bebida de qualidade, a tendência é querer evoluir constantemente...
Qual a posição atual do Brasil em relação a produção de café?
O Brasil é o maior produtor e exportador de café no mundo. O que falta aqui é o marketing em cima do nosso produto, como faz a Colômbia, por exemplo.
Como está o mercado interno para o café especial?
O café especial está acontecendo. As novas gerações tem voltado para o campo para poder melhorar o processo e isto, faz toda diferença. Por outro lado, o público, especialmente o mais jovem está mais aberto a experimentar novos sabores. Tanto é que o mercado cresce 20% ao ano, apesar de só absolvermos 3%; o desafio é grande...
Como estudioso e apaixonado pelo ciclo do café, quais seus próximos passos?
Agora meu objetivo é desenvolver mais minha parte sensorial e conseguir identificar todas as características do café. Isso exige técnica e muito treino, por isso é um processo demorado. Além disto, em maio devo fazer um curso sobre beneficiamento do café, que é pós-colheita. Acho fundamental conhecer todo o ciclo e a partir daí, se especializar em uma faixa.
Para finalizar qual sua dica para quem deseja começar a aprender a tomar um bom café?
Minha dica para quem deseja começar a treinar o paladar é iniciar experimentando outras marcas. Hoje é possível comprar bons cafés em supermercados comuns. Lógico, que você vai pagar um pouco mais por isso, mas, não é caro, afinal, o caro é relativo. Se você está tomando um café que agrada seu paladar, então tá tudo certo...
"Eu trato o café com carinho, eu não sou uma pessoa que visa apenas o lucro, quero levar o carinho do produtor para a xícara. Esse é um dos meus princípios..."
| Fábio Tadeu Rios