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Gianecchini e Tozzi falam sobre amizade e obediência

Cultura e Entretenimento

MARIA LUÍSA BARSANELLI SÃO PAULO | 12/01/2018-21:16:28 Atualizado em 12/01/2018-21:11:43
Divulgação
EM CENA | Ricardo Tozzi e Reynaldo Gianecchini: amizade abalada

Na busca pelo imaginário da cultura do pai indiano, o americano Rajiv Joseph, 43, se deparou com um detalhe de um mito grandioso. Foi das lendas por trás da construção do Taj Mahal, no século 17, que o dramaturgo, finalista do Pulitzer por "Bengal Tiger at the Baghdad Zoo" (tigre-de-bengala do zoológico de Bagdá), tirou a trama de "Os Guardas do Taj". De 2015, a peça ganha montagem brasileira que estreia neste sábado em São Paulo.
De uma história épica, com diversos personagens, ele acabou se fixando em dois: os guardas do monumento, inicialmente periféricos, tornaram-se protagonistas. É como se escrevesse um "Hamlet" e decidisse por ficar apenas com Rosencrantz e Guildenstern (dupla de cortesãos da tragédia shakespeariana), disse certa vez Joseph. "Ele achou esse ponto, desses personagens pequenos, em meio a uma coisa grandiosa, com os quais nos identificamos", afirma Rafael Primot, que idealizou a montagem e assina a direção ao lado de João Fonseca.
Apesar da inspiração histórica, Joseph não faz um retrato de época. Coloca nos diálogos uma fala contemporânea, e as referências indianas servem apenas de pano de fundo.
CONTRADIÇÕES
Reynaldo Gianecchini e Ricardo Tozzi vivem os guardas Humayun e Babur, amigos de longa data que se veem trabalhando juntos em frente ao monumento em construção.
O primeiro, de família de oficiais, é de extrema obediência. O segundo, meio fanfarrão, questiona o sistema e as ordens que recebem. De um início cômico, o espetáculo ganha ares de drama e se aproxima do absurdo. "Ele conta a história dessa amizade e de como ela é abalada pelas contradições dos dois", diz Primot. "E como toda a escolha tem sua consequência", segue Gianecchini.
Rajiv se baseia na lenda de que o xá Jahan teria ficado enciumado da beleza do Taj Mahal, suntuoso mausoléu feito em memória a sua mulher. Para que não se pudesse criar outra coisa tão formosa, teria mandado cortar as mãos dos cerca de 20 mil homens que trabalharam na construção.
São Humayun e Babur os encarregados da ingrata tarefa. Já exaustos e cobertos do sangue alheio, começam a se indagar se não teriam, eles próprios, matado a beleza, uma vez que impossibilitaram os artesãos do Taj Mahal de criarem novamente.
| FOLHAPRESS
PARA VER
QUANDO: sex. e sáb., às 21h, dom., 18h; até 25/3
ONDE: Teatro Raul Cortez, r. Dr. Plínio Barreto 28, São Paulo
QUANTO: R$ 60 a R$ 80