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Moda une consciência ecológica e design moderno

tododia#

BETO SILVAAMERICANA | 03/02/2018-17:06:29 Atualizado em 03/02/2018-19:32:57

A sustentabilidade está literalmente na moda. Mais do que o caimento perfeito e o bom gosto da coleção, para emplacar no competitivo mundo fashion, os fabricantes de roupas do século 21 terão de cair no gosto de quem defende medidas que causem menos impacto possível ao meio ambiente.
De olho nesse ainda restrito e seleto grupo de consumidores, a empresária e designer Rosah Passos inovou na produção de camisetas usando algodão 100% orgânico. O produto usado em sua confecção, em Americana, vem do Sul do país e custa 10% mais caro do que o algodão comum.
Rosah contou que soube da novidade ecologicamente correta por meio das redes sociais e depois pesquisou a literatura existente no mercado. "Li livros do André Carvalhal que trata dessa questão da sustentabilidade da moda", conta a empresária.
Depois de definida a estratégia de mercado, faltava ainda um outro importante detalhe: dar cara e vida às novas coleções da VMM Tshirt. Para isso, Rosah convidou um amigo pessoal e colega de profissão, o designer Josep Fiocco.
Sem experiência no mundo da moda, o fotógrafo de arquitetura e estudante de design de interiores, de 33 anos, aceitou o convite. "Tenho um estilo desenvolvido mais para o minimalista, abstrato, com traços que, quando se juntam, formam um elemento. Aí surgiu a oportunidade dessa parceria com a Rosah", explica Fiocco.
A ARTE
Levando em conta que a arte está em todos os campos e cantos, Fiocco admitiu que não sentiu dificuldades em migrar para a moda. "Eu via as criações da Rosah e a vontade dela de sempre inovar e trazer algo diferente, e eu queria expandir minha arte, deixar de ser apenas traços em telas e papel e levá-la para as pessoas vestirem", lembra.
"Foi legal porque chegamos ao contexto de estampa e se encaixou legal porque queríamos algo novo, um estilo diferente de estampa e eu trabalhava só com traços retos e curvas e o contexto da minha arte é pegar linhas quase imperceptíveis e a partir delas formar um desenho pré-definido. A Rosah veio com a ideia de a gente trazer a parte de consciência do meio ambiente, com tecido orgânico e tudo foi se encaixando e as pessoas foram gostando", relata.
INSPIRAÇÃO
Para compor as estampas Fiocco não precisa de muito esforço. Com a arte no DNA - seu pai, José Fioque, foi artista sacro - ele é um bom observador e como tal presta atenção ao seu redor. "Eu ando pelas ruas, vejo as pessoas, vejo os objetos e observo o que marca na pessoa, seu jeito de se expressar, de andar, e isso faz parte do meu processo de criação", revela.
"Hoje estou numa fase que admiro muito o contexto e a força da mulher, estou desenhando muito a mulher, não como o jeito que a maioria das pessoas vê, mas pela força que ela tem, a mulher como alicerce da vida, ela dá a luz, define o ritmo da vida, elas buscam melhorar sempre", afirma.
ARTE NAS RUAS
O designer disse não ter palavras para descrever a sensação de ver sua arte estampada nas roupas das pessoas de diferentes idades, estilos e lugares. Acostumado a ver seu trabalho de forma estática e em exposições fixas, se deparar com seus traços e composições "andando" pelas ruas, causa surpresa.
"É um modo diferente de mostrar minha mensagem e minha arte, querer que as pessoas entendam, se vão achar belo ou feio, ela pode estar em qualquer lugar do mundo através de uma pessoa que eu não conheço. E todas as pessoas do mundo podem ter acesso, por exemplo, uma coleção dessas o tecido é maravilhoso, a arte casou plenamente e hoje está aqui e amanhã pode estar em Nova Yorque e uma pessoa que não temos contato pode olhar e curtir. É um jeito diferente de expor, é uma exposição sem controle", comemora.