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O que é mito e o que é verdade sobre a vacina de Febre Amarela

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Jucimara LimaREgião | 20/01/2018-18:29:43 Atualizado em 20/01/2018-19:10:07

Nos últimos dias notícias sobre a Febre Amarela não tem saído dos noticiários. Casos confirmados da doença e algumas mortes tem assustado a população, que por sua vez, tem buscado na vacinação uma alternativa para se prevenir do problema. Postos de saúde lotados, vacinas esgotadas e confusão em filas intermináveis, também tem sido cenário comum. No momento, a Organização Mundial da Saúde incluiu todo o Estado de São Paulo na área de risco de transmissão da febre amarela e a vacinação passou a ser recomendada. Tanto é que o Governo de São Paulo decidiu antecipar a campanha de vacinação com as doses fracionadas para o dia 29 de janeiro. Segundo especialistas a vacinação continua sendo a melhor prevenção contra a doença, no entanto, a confirmação da morte de pessoas, após tomar a vacina, também tem causado temor. Para ajudar a população entender um pouco melhor todo esse contexto, Carlos Ballarati, especializado em patologia clínica e sócio-fundador do Consulta do Bem, explica o que é necessário saber sobre a febre amarela, desvendando alguns mitos e compartilhando dicas sobre prevenção.
Entenda mais sobre doença que assusta o país
Existe mais de uma Febre Amarela?
Ballarati - Sim, existe a febre amarela silvestre e a febre amarela urbana, sendo que a única diferença entre as duas são os mosquitos transmissores da doença. O vírus continua sendo o mesmo, por isso ambas apresentam os mesmos sintomas e a mesma evolução. A febre amarela silvestre é transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes, que estão presentes nas matas e na beira dos rios. Já a febre amarela urbana é transmitida pelo famoso mosquito, Aedes aegypti, que é também responsável pela transmissão da Dengue, Zika e Chikungunya. Mas vale esclarecer que a febre amarela urbana não existe no Brasil desde 1942.
Macacos infectados com Febre Amarela transmitem a doença aos humanos?
A doença é transmitida apenas pela picada do mosquito que carrega o vírus, por isso não há necessidade de exterminar os macacos doentes, que também são vítimas. Para os paulistanos, a confirmação da febre amarela nos macacos do parque funcionou como um alerta para antecipar a prevenção da doença antes que chegasse à cidade.
Pessoas doentes podem transmitir o vírus da Febre Amarela?
Não. A única forma de transmitir a doença é pela picada do mosquito que carrega o vírus.
Como ter certeza do diagnóstico?
Como os sintomas da febre amarela se assemelham muito com uma gripe comum - febre, dor de cabeça, dores pelo corpo, vômitos e, às vezes, diarreia - é necessário estar atento e procurar um médico logo no primeiro sinal de mal-estar.Depois de 24h até 48h, as pessoas podem começar a melhorar naturalmente ou a doença pode evoluir para formas mais graves, afetando os rins e o fígado. É apenas nessa fase que o sintoma mais conhecido da doença, a icterícia (também conhecida pelo "amarelão" dos olhos), aparece.
Como funciona o tratamento da doença?
O tratamento para a febre amarela é sintomático, ou seja, ele ajuda a aliviar os sintomas da doença. Porém a principal preocupação é sempre manter a pessoa hidratada para que os rins e o fígado não entrem em falência.
Vacinação: quem pode?
A coordenadora da Comissão Científica de Imunizações da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Ana Karolina Marinho, esclarece algumas dúvidas sobre quem pode e quem não deve ser vacinado, além de explicar algumas particularidades sobre o assunto.
Pessoas com mais de 60 anos podem se vacinar contra a febre amarela?
Sim. Pessoas com mais de 60 anos podem receber a vacina da febre amarela, desde que não estejam fazendo uso de medicamentos imunossupressores ou sejam portadoras de doenças crônicas descompensadas. Sugerimos sempre uma avaliação médica prévia, mas a prescrição para a vacina não é necessária.
Quem está passando pelo tratamento quimioterápico pode receber a vacina?
Não. Pessoas com neoplasias em uso de quimioterapia ou radioterapia não devem receber a vacina de febre amarela. Por ser de vírus vivo atenuado, a vacina pode causar eventos adversos graves em indivíduos imunocomprometidos.
Toda criança pode ser vacinada?
Crianças acima de 9 meses de idade, que residam ou que vão se deslocar para as áreas de risco, devem ser vacinadas.
Quem é alérgico ao ovo pode receber a vacina?
Devemos considerar duas situações: pacientes alérgicos ao ovo, com quadros leves ou moderados, podem ser vacinados e orienta-se a observação por 30 minutos até uma hora após a aplicação da vacina. Já pessoas com história de alergia grave ao ovo, como por exemplo anafilaxia, não devem receber a vacina. Se o risco de infecção pela febre amarela for muito levado, orienta-se uma avaliação do médico alergista para considerar a possibilidade de dessensibilização com a vacina.Pessoas que tiveram alergia ao ovo e se tornaram tolerantes (comem ovos e alimentos com ovo sem reações atualmente) podem receber a vacina da febre amarela.
Por que está sendo feito o fracionamento da dose da vacina?
O fracionamento das doses da vacina de febre amarela é uma estratégia de emergência adotada pelo Ministério da Saúde para que um maior número de pessoas sejam vacinadas, com o objetivo de impedir a propagação da doença em alguns Estados.
A vacina fracionada é menos eficaz?
A vacina fracionada tem a mesma eficácia, porém a duração da proteção será menor e as pessoas deverão ser revacinadas após 8 anos.
A vacina da febre amarela pode dar reação alérgica cruzada com algum outro alimento, principalmente aqueles que desencadeiam alergias mais frequentes, como o trigo, por exemplo?
Não. Entretanto, além da proteína do ovo, a vacina de febre amarela pode conter conservantes e outros excipientes como canamicina, eritromicina e gelatina bovina, que têm um potencial alergênico em indivíduos sensíveis ou com história de reações prévias a vacina.
Doenças que impedem a vacinação
 • Imunodeficiências primárias ou congênitas
• Doenças prévias do timo
• Pessoas com HIV com contagem das células T CD4 < 350
• Doenças autoimunes em uso de imunossupressores
• Transplantados
• Alergia grave ao ovo
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Vacinação em Clínicas Particulares
O presidente da ABCVAC (Associação Brasileira das Clínicas de Vacina) Geraldo Barbosa, informou que no mês de janeiro não haverá reposição de estoque da vacina de febre amarela para clínicas particulares. A previsão é que novas doses sejam recebidas no final de fevereiro. As vacinas são produzidas fora do país e, por isso, o abastecimento pode sofrer com restrição na capacidade de distribuição. No entanto, o Sanofi Pasteur, laboratório responsável pelo abastecimento conseguiu na última quinta-feira, a aprovação em caráter excepcional da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, para a importação de um novo lote com embalagem internacional, também com previsão de chegado ao mercado em aproximadamente 30 dias.
Na rede pública
A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo informou que a campanha de vacinação contra a febre amarela será antecipada para o dia 25. No Estado de São Paulo, a campanha acontecerá em 54 municípios. O Ministério da Saúde informa que tem enviado desde 2017 doses extras da vacina contra a febre amarela aos estados que estão registrando casos suspeitos da doença . "Falei com o ministro da saúde, ele está mandando 1 milhão de doses a mais para o estado de São Paulo", afirmou o governador Geraldo Alckmin. Segundo o Secretário de Saúde David Uip "em quinze dias de campanha, queremos triplicar o número de pessoas vacinadas no Estado".
Na região, por enquanto cada cidade mantém uma programação em relação a vacina.
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