OK
Close

Delator da Odebrecht aponta propina de R$ 52,4 mi a Serra

Brasil e Mundo

FOLHAPRESS BRASÍLIA | 09/01/2018-22:27:37 Atualizado em 09/01/2018-22:23:25
Arquivo I TODODIA Imagem
ESPÉCIE | Serra: repasses em dinheiro vivo no Brasil e exterior

Em depoimento à Polícia Federal, o executivo Pedro Novis, que presidiu a Odebrecht de 2002 a 2008, afirmou que o senador José Serra (PSDB-SP) pediu e recebeu, para si e para o partido, R$ 52,4 milhões de 2002 a 2012.
Segundo o delator, os valores foram repassados via caixa dois -parte era propina (ligada a algum negócio da empreiteira com o governo), e parte, não.
Os supostos repasses foram feitos no Brasil, em dinheiro vivo, e no exterior, em contas bancárias em nome de terceiros.
Novis, um dos 77 executivos da Odebrecht que firmaram acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, prestou o depoimento à PF em 13 de junho de 2017 no âmbito de um inquérito que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) e tem Serra como alvo.
No depoimento, noticiado pelo jornal "Valor Econômico" ontem, ele elenca, ano a ano, os repasses a Serra de que tem conhecimento. A maior parte já havia sido divulgada e também consta de outras delações de ex-membros da Odebrecht.
O ex-presidente da Odebrecht relatou que conhece Serra desde os anos 1980, mas só em 2002 o tucano lhe pediu recursos para disputar a Presidência da República. Segundo Novis, naquele ano foram repassados R$ 15 milhões por meio de caixa dois - mas ele disse à polícia não ter conseguido recuperar os registros dos pagamentos.
CAMPANHA A PREFEITO
Em 2004, ainda segundo o delator, a Odebrecht doou extraoficialmente R$ 2 milhões para a campanha de Serra à Prefeitura de São Paulo.
Os valores teriam sido pagos em espécie no Brasil.
Entre 2006 e 2007 o grupo deu a Serra, de acordo com Novis, R$ 4,5 milhões (ou 1,6 milhão de euros ) que foram depositados numa conta no exterior indicada por José Amaro Ramos, ligado ao tucano.
"[Novis disse] Que conversou pessoalmente com José Amaro Ramos, tendo recebido de suas mãos o número da conta para a qual seriam transferidos os recursos destinados a José Serra; que José Amaro Ramos não demonstrou estar incomodado em fornecer uma conta bancária no exterior para receber os recursos destinados à campanha eleitoral de José Serra em 2006; que não sabe dizer como os recursos depositados no exterior retornaram para a campanha de José Serra no Brasil", segundo o registro do depoimento.