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Deputados integram 'confraria saqueadora', diz Procuradoria

Brasil e Mundo

folhapress rio de janeiro | 14/11/2017-23:13:14 Atualizado em 14/11/2017-23:10:14
Jotta de Mattos | Photo Press | Folhapress)
OPERAÇÃO | Filho de Picciani foi um dos sete presos na operação

Três deputados estaduais da cúpula do PMDB do Rio foram alvos da Operação Cadeia Velha sob suspeita de terem recebido propina de empresas de ônibus e empreiteiras. A Procuradoria afirma que o presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, e os deputados Paulo Melo e Edson Albertassi integram uma "confraria saqueadora" dos cofres públicos ao lado do ex-governador Sérgio Cabral, preso há quase um ano. Sete pessoas ligadas aos parlamentares foram presas, além de três empresários do setor.
"Não havia um chefe mor, mas um comando horizontal de uma grande confraria do crime organizado no Rio mantida por agentes públicos do Executivo e Legislativo", afirmou o superintendente da Polícia Federal, Jairo Souza da Silva.
As investigações levantam suspeitas inclusive sobre a indicação de Albertassi para uma vaga de conselheiro no TCE (Tribunal de Contas do Estado), feita pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) na semana passada.
Para procuradores, o ato foi uma forma de atrapalhar as investigações. Caso nomeado, o processo "voltaria à estaca zero" ao ser enviado ao Superior Tribunal de Justiça, em razão do foro privilegiado.
A indicação foi usada como um dos argumentos para o Ministério Público Federal pedir a prisão em flagrante dos três deputados. O juiz federal Abel Gomes, relator da Lava Jato no Tribunal Regional Federal no Rio, entregou a decisão a um colegiado de seis magistrados e autorizou a condução coercitiva dos três.
"Fazer do deputado Albertassi um membro do TCE a esta altura é uma demonstração forte de poder por parte da organização criminosa", afirma a Procuradoria. Os procuradores dizem não ter "dados concretos" do envolvimento de Pezão, autor da indicação de Albertassi.
A escolha, contudo, provocou inclusive a demissão do procurador-geral do Estado, Leonardo Espíndola, que se recusou a defender o ato do governo no Tribunal de Justiça. Pela Constituição, o governador deveria indicar um auditor de carreira do TCE.
O deputado abriu mão do cargo após o depoimento à Polícia Federal. As investigações indicaram que Picciani, Melo e Albertassi receberam propina de donos de empresas de ônibus ao menos entre 2010 e 2016. As informações foram entregues pelo operador financeira Álvaro Novis, responsável pela "caixinha" da Fetranspor (federação das empresas de ônibus) e Marcelo Traça, vice-presidente da entidade.
Picciani recebeu R$ 58,5 milhões, Melo, R$ 54,3 milhões e Albertassi, ao menos R$ 2,7 milhões, segundo os delatores. A PF prendeu assessores de Picciani e Melo. Também foi preso Felipe Picciani, filho do presidente da Assembleia. Ele é executivo da Agrobilara, supostamente usada para lavar dinheiro.
Segundo a acusação, a empresa de gado de Picciani foi usada para receber propina da Carioca Engenharia e para lavagem de dinheiro do ex-presidente do TCE Jonas Lopes, que se tornou delator.
A petição detalha ainda suposta propina paga pela Odebrecht a Picciani.
A Procuradoria afirma que os pagamentos resultaram em mudanças legislativas em favor da Odebrecht e das empresas de ônibus.