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Ministro tucano sai e Temer negocia cargos com aliados

Brasil e Mundo

folhapress brasília | 13/11/2017-23:08:20 Atualizado em 13/11/2017-23:04:56
Arquivo | TODODIA Imagem
PANELAÇO | Ex-ministro foi a favor do impeachment de Dilma

O presidente Michel Temer começou a negociar com os partidos de sua base aliada a redistribuição de cargos de primeiro escalão na reforma ministerial que deve ser realizada nas próximas semanas.
Temer acelerou essas articulações com o pedido de demissão do tucano Bruno Araújo do Ministério das Cidades, ontem, dando início ao desembarque do PSDB do governo.
Horas antes, o presidente havia se reunido com o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI), para discutir a ocupação dos principais cargos do governo. O partido quer comandar a pasta das Cidades. Estão cotados para a função o atual presidente da Caixa, Gilberto Occhi, e o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB).
Temer vai convocar nos próximos dias os caciques dos demais partidos que dão sustentação a seu governo. Ele avisou a aliados do ex-deputado Valdemar Costa Neto (SP) que vai chamá-lo.
Nas conversas que teve ao longo do dia, Temer afirmou que o redesenho de seu governo deve estar formatado até a próxima semana e que os novos ministros devem começar a trabalhar até a segunda semana de dezembro.
Ao acelerar a redistribuição dos cargos aos partidos de sua coalizão, o presidente quer abrir caminho para tentar votar a reforma da Previdência até o fim do ano, ao menos na Câmara. As siglas rejeitam discutir o assunto enquanto não forem contempladas com cargos.
Além de redistribuir os cargos do PSDB, Temer fará outras substituições, usando as eleições de 2018 como critério. Segundo auxiliares do presidente, os ministros que quiserem se candidatar no ano que vem deverão sair o quanto antes do governo.
DESEMBARQUE
O Planalto havia decidido antecipar para este ano a reforma ministerial, anteriormente prevista para abril. O presidente já admitia a saída do PSDB do governo, mas aguardava uma decisão do partido na convenção de 9 de dezembro.
Assessores de Temer avaliam que a demissão de Bruno Araújo deixou os outros três ministros tucanos -Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Luislinda Valois (Direitos Humanos) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) em uma "situação complicada", mas não acreditam que eles seguirão o caminho do pedido de demissão.
O vácuo aberto no Ministério das Cidades, entretanto, tornou inevitável a reorganização do governo. Araújo entregou a Temer sua carta de exoneração minutos antes de cerimônia. No gabinete presidencial, ele chorou e disse que tomara essa decisão para não se tornar personagem de crises no PSDB.
No pedido de demissão, ele agradeceu a Temer pela confiança e disse que não tem mais apoio da sigla para continuar no cargo.
Araújo disse à reportagem que tomou a decisão por entender que "faltou firmeza ao PSDB" para que ele continuasse no cargo, e que sua participação no ministério dependia do respaldo da sigla.
O PSDB está rachado em uma ala que defende Temer, ligada ao presidente licenciado do partido, Aécio Neves, e outra que quer deixar o governo, que apoia o senador Tasso Jereissati (CE) para comandar a legenda.
Araújo é deputado federal por Pernambuco e estava no governo desde o início da gestão Temer, em maio de 2016.
No mês anterior, ele deu o voto 342 pelo impeachment de Dilma Rousseff, que abriu caminho para a autorização do afastamento da então presidente.
O tucano, porém, ameaçou deixar o governo quando a crise da delação da JBS atingiu Temer e o PSDB deu sinais de que romperia com o presidente.