OK
Close

Delegado é preso por extorsão

Cidades

FOLHAPRESS PAULÍNIA | 11/10/2017-23:37:11 Atualizado em 12/10/2017-00:00:10
Arquivo | TODODIA Imagem
DIXON | Chefe do Executivo levou o caso à Polícia Federal

O delegado da Polícia Federal Mario Menin Junior, preso anteontem por extorsão, é acusado de atuar com falsos policiais para chantagear o prefeito de Paulínia, Dixon Carvalho (PP), segundo a Folha apurou junto a investigadores do caso. Outros três suspeitos foram detidos.
O interlocutor do prefeito dizia ter um dossiê com provas de corrupção e ameaçava divulgar os dados se a prefeitura não contratasse uma empresa dele que atua no setor de serviços e terceirização.
O chefe do Executivo paulinense levou o caso à Polícia Federal de Campinas. Dixon foi expulso do PT em 2012 após ser investigado sob suspeita de pedofilia. Ele sempre negou a suspeita e disse que as fotos em que aparece com adolescentes são falsas. Ele foi inocentado.
Menin Junior foi preso com os outros três suspeitos por um órgão da PF que ele já havia dirigido, a Corregedoria. Segundo a acusação, o trio se passava por delegados da PF para praticar extorsão, segundo a juíza federal Valdirene Falcão, de Campinas. Eles são acusados de praticar quatro crimes: organização criminosa, extorsão, usurpação de função e concussão (quando agente público solicita uma vantagem indevida).
As escutas feitas pela PF apontam que o grupo tentava aplicar o mesmo golpe em outras prefeituras.
Com mais de 30 anos de Polícia Federal, Menin Junior deixou seus colegas incrédulos ao ser preso pelos cargos que já ocupou na instituição e porque todos o consideravam um policial acima de qualquer suspeita. Além da Corregedoria, ele já chefiou a delegacia de combate ao crime organizado e a unidade do Aeroporto de Cumbica.
A Superintendência da PF em São Paulo deu ordens para investigar o caso com o máximo de velocidade porque se considerava traída por Menin Junior.
Ele tem um perfil que não se alinha com o de um policial corrupto, segundo colegas ouvidos pela Folha sob condição de anonimato. Extremamente católico, Menin Junior, 53, vive com a mãe num apartamento em São Paulo, costumava esbravejar contra a suposta corrupção do PT e mostrava-se entusiasmado com Jair Bolsonaro (PSC-RJ), candidato à Presidência. A reportagem não conseguiu localizar a defesa do delegado até as 21h de ontem.