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Tite e os seus goleiros 'novatos'

Esportes

FOLHAPRESS SÃO PAULO | 04/09/2017-23:41:49 Atualizado em 04/09/2017-23:40:29
Pedro Martins | MoWA Press
ALISSON | Titular da Seleção, mas não na última temporada na Roma

Tite usará uma estratégia rara para o gol da Seleção Brasileira na Copa de 2018. O treinador deverá levar apenas jogadores da posição que nunca disputaram o torneio.
Será a sexta vez em 21 edições das Copas que isso ocorre. O Brasil teve goleiros sem experiência em 1934, 1938, 1950, 1970 e 1990. Sem contar 1930, o primeiro Mundial.
Desde quando Tite assumiu em 2016, nenhum goleiro que tenha atuado na competição da Fifa foi convocado.
O técnico chamou sete jogadores para a posição. Alisson, Weverton e Diego Alves foram titulares. Cássio, Ederson, Marcelo Grohe e Alex Muralha não tiveram chance no time.
Com o apoio de Tite e o aval do preparador de goleiros Taffarel, Alisson se consolida como titular da Seleção a dez meses da Copa. Situação inversa ao que viveu no seu clube, a Roma, na temporada passada, quando foi titular em 15 jogos.
"A gente não vai conseguir agradar a todos", diz Alisson. "Tendo mais oportunidade no clube, as pessoas vão conhecer melhor o meu trabalho. A opinião (dos outros) não entra em campo", diz.
Por ter jogado pouco, o goleiro até cogitou deixar a Roma. Uma conversa com a diretoria resolveu a questão. Ele é hoje titular do gol.
Os outros goleiros convocados para os jogos contra Equador, na quinta, e Colômbia, hoje, às 17h30, jogaram mais na temporada.
Ederson, 24, que trocou o Benfica pelo Manchester City na última janela de transferência, atuou 40 vezes pela equipe portuguesa. Cássio, 30, é o titular do Corinthians, líder do Brasileiro.
As duas vagas de goleiro reserva para o Mundial da Rússia seguem abertas.
A titularidade de Alisson na Seleção Brasileira era algo inimaginável há três anos.
O ainda terceiro goleiro do Internacional contou com a sorte para virar titular na reta final do Brasileiro de 2014 após a lesão do irmão Muriel e uma expulsão de Dida.
Em 2015, o destino mais uma vez o ajudou. Terceiro reserva da Seleção na estreia das Eliminatórias, virou titular do time de Dunga após a falha de Jefferson contra o Chile e lesão de Marcelo Grohe.
Mas o hoje goleiro da Roma tem um outro exemplo de sucesso para se espelhar.
Em 2002, o técnico Luiz Felipe Scolari apostou suas fichas em Marcos, que nunca havia ido a um Mundial e virou titular absoluto do gol nacional a exatamente um ano da estreia na Copa.
Antes de jogar em junho de 2001 pelas eliminatória com o Uruguai, o palmeirense só havia sido titular num amistoso na seleção, em 1999.
A última vez que a Seleção teve um trio de goleiros novato foi em 1990. Taffarel foi o titular no gol. O Brasil saiu do Mundial da Itália após derrota nas oitavas para Argentina, com gol de Caniggia.
"Saí meio precipitado na bola. Se o lance tivesse ocorrido em uma das outras copas que disputei, quando estava mais experiente, talvez não tivesse sofrido o gol. Deveria ter esperado um pouco mais para sair", disse o goleiro ao escritor Paulo Guilherme, no livro "Goleiros, Heróis e Anti-heróis da Camisa 1".
Mesmo com o fiasco, o então inexperiente Taffarel, então com 24 anos, seria campeão nos EUA (1994) e vice na França (1998).
Em outra vez que levou um trio de goleiros novatos, o Brasil deu espetáculo.
Félix, Ado e Leão foram juntos pela primeira vez a um Mundial em 1970, no México. Entraram para a história com a conquista do tri. Antes daquela Copa, o hábito era levar apenas dois goleiros.

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