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Pedintes: OSC deve assumir casos

Cidades

PEDRO HEIDERICHAMERICANA | 05/09/2017-22:37:32 Atualizado em 08/09/2017-19:53:40
Fotos: Pedro Heiderich | TODODIA Imagem
LOCAL DO CRIME | Havia apenas uma malabarista na área ontem

A Prefeitura de Americana divulgou ontem que está fazendo um processo de chamamento público para contratação de uma OSC (Organização da Sociedade Civil) para analisar os casos de pedintes e realizar encaminhamentos destas pessoas conforme cada caso. Anteontem, um pedinte feriu um homem com uma seringa, em um semáforo da Avenida da Saudade próximo à Avenida Nossa Senhora de Fátima. Uma lei aprovada na Câmara prevê proibição à atuação de pedintes em cruzamentos da cidade.
Ontem, do início da manhã ao horário do almoço, os mendigos que ficavam naquele ponto sumiram do local e uma base móvel da Gama (Guarda Armada Municipal de Americana) se encontrava em um praça em frente ao cruzamento.
Uma comerciante que pediu para não ser identificada defendeu os mendigos locais. "Em um ano com comércio aqui, nunca tive problemas com eles. Conheço alguns deles, são educados. Foi alguém que não costuma ficar aqui", acrescentou. Outra comerciante, que também pediu para ficar no anonimato, disse o mesmo. "Normalmente de manhã, quando abrimos o comércio, já tem uns dez. Hoje não tinha e não apareceu nenhum, pela primeira vez (...) Nós comerciantes temos uma relação boa com eles, nunca nos deram trabalho (...) Acredito que tenha sido um caso isolado. Nunca vimos alguém com seringa", disse.
"Deve ser alguém de fora ou de outro lugar. Daqui não é, os daqui são educados. Algum revoltado de saidinha, algo assim", deduziu um funcionário de uma loja próxima ao cruzamento.
Vendedora de balas nos arredores há 17 anos, Egla Piuna, 41, mais conhecida como Índia, manteve o discurso. "Tem gente de fora que vem e vai embora no outro dia. Deve ser um desses. Os meninos daqui pedem e vão embora. Nunca teve problema em 17 anos. O único foi o Alemão, que jogava pedra nos carros, e que foi preso", relatou. O caso, ocorrido em julho, foi noticiado pelo TODODIA.
O morador de rua Adriel Souza Muniz, 32, também defendeu os mendigos que frequentam o local. "O pessoal daqui é tranquilo". "Ficamos na nossa. Dos que ficam aqui ninguém faz isso não", acrescentou outro morador de rua, que não quis ser identificado.
Quando o TODODIA esteve no local, só uma malabarista estrangeira esteve no sinal. Sem revelar o nome, ela conta que chegou na terça ao local e que não sabia do caso. Ela relatou não ter visto nada, mas alertou: "mesmo sem dinheiro, na rua, um pedinte pode ser perigoso se quiser. Pode injetar o sangue ou mercúrio, nunca duvide".
Carlos Gomes, 56, foi questionado pela reportagem, enquanto esperava o sinal abrir, se o caso o deixou mais alerta. "Nunca tinha ouvido falar disso. Agora estou mais ligado. O pior é que não tem como saber quem vai ser e o que vai ser", declarou.