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Geração de empregos e saneamento são os principais desafios

Jaguariúna 63 anos

ANDRÉ ROSSI JAGUARIÚNA | 06/09/2017-00:01:28 Atualizado em 11/09/2017-23:28:32

Prefeito de Jaguariúna de 2009 a 2012, Gustavo Reis (PMDB) foi eleito ano passado para voltar ao cargo de chefe do Executivo. Em entrevista ao TODODIA, o político afirmou que promover a geração de empregos e melhorar o saneamento básico na cidade são os dois principais objetivos do início do novo governo.
Além disso, também falou sobre as medidas tomadas para reduzir a dívida da prefeitura e dos projetos que pretende desenvolver ao longo do mandato.
TODODIA - Como foi o seu retorno à Prefeitura de Jaguariúna? Estava parecida com a que você deixou?
A prefeitura estava completamente diferente. Absolutamente endividada, cerca de R$ 75 milhões, o que comprometeu muito a qualidade dos serviços públicos no município. Então as primeiras medidas foram austeras, no sentido de poder reduzir todo o custo da máquina administrativa. Dentro das atividades que nós fizemos, foi reduzir o número de secretarias de 14 para quase a metade. Temos oito secretarias. Reduzimos também cerca de 50% do número de comissionados. Além disso, cortei o Carnaval. E vetei o aumento do meu próprio salário, vice e secretários. Todos os nossos postinhos de saúde tinham uma capacidade de remédio de apenas 10%. Nós fizemos uma ação bastante forte com a iniciativa privada. Conseguimos doação da EMS e da Rioclarense de medicamentos para o município. Foi bem importante. São duas empresas que estão no município e colaboraram. Hoje, temos quase 100% dos remédios atendidos.
Sobre as secretarias que foram reduzidas. Elas foram fundidas? Os secretários estão acumulando mais do que uma pasta?
O secretário está acumulando mais funções. É um time menor e mais comprometido, com mais trabalho, mas que também está tendo mais resultado.
Os comissionados foram reduzidos para quantos?
Reduzimos cerca de 50% dos comissionados. Não posso te precisar exatamente o número, mas pelo menos uns 100 funcionários comissionados a menos.
Como está o pagamento da dívida de R$ 75 milhões a médio e longo prazo?
Estamos fazendo o pagamento na ordem cronológica, que assim determina o Tribunal de Contas do Estado e fazendo os pagamentos aos poucos, sem deixar de priorizar o serviço de atendimento ao público, que é essencial para a nossa cidade. Só de restos a pagar, de 2016, que é de R$ 30 e poucos milhões, já pagamos quase 80%.
Não realizar o Carnaval significou quanto de economia?
Com o Carnaval, já chegou a se gastar R$ 500 mil. Essa é uma verba que ficou para, principalmente, poder atender a população, realizar os serviços essenciais. Se botasse os R$ 500 mil no entretenimento ia faltar para a Saúde, que é a base, junto com Educação.
Alguns projetos de sua administração anterior foram retomados neste ano, como a Escola de Artes. Você pretende reativar algum outro projeto desenvolvido anteriormente?
Tem alguns projetos interessantes que foram marcas do meu governo. A Escola de Artes é uma delas, que nós criamos e demos oportunidade para todos os artistas amadores da cidade, em 32 cursos. Fizemos também o Projeto Campeões, no Esporte, que é novo. Projeto do Município Verde e Azul, que foi retomado. De novo ganhamos o prêmio na questão ambiental, que é muito importante para nós. Também tem a tarifa social, que é de ônibus, o ProUni municipal. Foram todas marcas do meu primeiro mandato, que continua. Agora, temos deficiências. Uma deficiência muito séria é no esgoto de Jaguariúna, apenas 60% é tratado. É um investimento muito alto no esgoto. A questão da água é deficitária, o esgoto é um problema, os outros 40% são jogados in natura no rio. É um problema sério que precisa ser resolvido. Um problema ambiental que temos que trabalhar fortemente para poder resolver. Tem que ter um investimento muito forte. Hoje o município não tem condição (para o investimento), mas nós estamos tentando outras maneiras.
Existe alguma estimativa de custo para essa questão do esgoto?
Não. Estão sendo feitos estudos, inclusive através do (Consórcio) PCJ, que está nos ajudando, mas ainda não está pronto.
A médio prazo, quais são os principais objetivos da sua administração?
É a gente conseguir manter o serviço que estamos mantendo, de bom atendimento à população, com relação a medicamentos, Educação. Jaguariúna é uma cidade que é referência em Educação e Saúde. Tanto se destaca que no ano de 2010, no meu primeiro mandato, ganhou o prêmio da ONU (Organização das Nações Unidas) por ter zerado a mortalidade infantil. Também ficamos em 2011, no índice do Saresp (Secretaria da Educação do Estado de São Paulo) e do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) como melhor cidade da RMC (Região Metropolitana de Campinas) na Educação. Tem também a parte turística, que é importante. Tem o rodeio, que leva o nome da cidade para todo o Brasil, e também o turismo gastronômico, de fazenda. Esses são aspectos importantes da cidade. Minha luta principal será por emprego. No primeiro semestre deste ano, o saldo de empregos foi positivo, enquanto no ano passado tinha sido negativo. Nós trouxemos a Sky para Jaguariúna no começo do ano, e já começou a operar em julho. É uma grande conquista. Eles fizeram um investimento de R$ 1,5 bilhão na cidade. Tenho trabalhado fortemente para atrair outras novas empresas. Trouxemos uma do setor de rações, do setor farmacêutico, e vamos trabalhar a médio prazo para gerar empregos.
Quando foi realizado o último projeto habitacional da cidade?
Na minha época foram entregues 800 casas, (na faixa) de zero a três salários mínimos. O último grande projeto foi esse. As chaves foram entregues em 2011. Fizemos agora a lei do lote popular, para ajudar os mais humildes, e também estou trabalhando junto com o governo Federal para conseguir construir casa populares.
A cidade perdeu empresas nos últimos anos?
Não, não perdeu. (...) Jaguariúna é uma cidade muito bonita, com topografia privilegiada, portal de entrada do Circuito das Águas Paulista. É uma cidade que o coronel Amâncio Bueno, quando fundou a cidade, trouxe um conceito de uma cidade com grandes avenidas, como tem em Paris. Dentro da RMC, é a joia da princesa na região. Uma das mais bonitas da região. Baixo índice de violência, não tem favela, tem alto índice de qualidade de vida. Foi eleita a 3ª melhor da RMC para idosos viverem. Além de ser uma cidade que tem agitação. Jaguariúna está de portas abertas para novas empresas. Tem algumas de alta tecnologia, como Motorola, Sky e Ambev. É uma cidade que cresce com qualidade de vida.
Parceria com a iniciativa privada é algo que você cogita para algum setor da cidade?
Queremos fazer uma PPP (Parceria Público Privada) para uma nova rodoviária na cidade. E continuamos buscando parcerias, mas a priori é isso.
Gostaria de deixar uma mensagem para a população de Jaguariúna?
Acho que o Brasil está começando a tomar o caminho do crescimento, temos que ter otimismo. E a Região Metropolitana de Campinas cresce mais que a média nacional. Jaguariúna, segundo índice do IBGE, cresceu mais que a média da RMC. Portanto, Jaguariúna é uma cidade de grande potencial de desenvolvimento. E com isso, com o trabalho que temos feito no sentido de atrair novas indústrias, vamos ter geração de emprego para dar um conforto maior para os moradores da cidade. E que se preparem, estudem, porque é através do preparo e do estudo é que você vai ter uma oportunidade na vida. Por isso que criei programas importantes como o ProUni municipal, coloquei apostilas nas escolas para dar a base que é a Educação, que é fundamental para que a gente consiga transformar o cidadão e ele tenha uma chance na vida através da sua capacidade e da sua formação.