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Ainda na PGR, Miller recebia e-mails

Brasil e Mundo

11/09/2017-23:24:02 Atualizado em 11/09/2017-23:19:51

E-mails trocados entre o ex-procurador Marcello Miller e representantes de um escritório de advocacia mostram que ele atuava em favor da JBS enquanto ainda era membro do Ministério Público. As mensagens foram entregues à PGR (Procuradoria-Geral da República) na última quarta-feira (6) pelo escritório Trench Rossi Watanabe, a quem o órgão havia pedido esclarecimentos. Há ao menos 13 trocas de e-mails. Após ser exonerado do Ministério Público, em 5 de abril deste ano, Miller passou a trabalhar nesse escritório, que negociou parte do acordo de leniência (de pessoa jurídica) da JBS. Até meados do ano passado, Miller foi auxiliar do procurador-geral, Rodrigo Janot, em Brasília. Depois, ele voltou a atuar na Procuradoria no Rio de Janeiro, até deixar a carreira, em abril.
Em um dos e-mails, de 5 de março, a advogada Esther Flesch, então membro da banca Trench Rossi Watanabe, reencaminhou a Miller uma mensagem que recebeu de Francisco de Assis e Silva, diretor jurídico da JBS.
No mesmo dia, Flesch havia pedido a opinião de Miller sobre a minuta da proposta de trabalho que seria enviada ao diretor jurídico da JBS. A minuta dizia: "Teremos grande satisfação em assessorar a JBS na avaliação de riscos ('risk assessment') referente a assuntos de 'compliance' de diversos temas, inclusive anticorrupção. Eu serei a sócia responsável pela condução dos trabalhos e incluirei na equipe outro(s) sócio(s) ou advogados conforme for apropriado".
O ex-procurador reafirmou, em nota, que "jamais fez jogo duplo ou agiu contra a lei". O escritório Trench Rossi Watanabe afirmou que está auxiliando as autoridades e reiterou que os citados não trabalham mais na banca. Esther Flesch disse que o documento em questão é uma minuta.
| FOLHAPRESS