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As bandeiras

Lance Livre por Claudio Gioria

Claudio Gioria | Editor-chefe do TODODIA e escreve aos sábados - 04/08/2017-22:55:43 Atualizado em 04/08/2017-23:33:21

Se você não chegou perto dos 30, então não frequentou estádio com bandeira porque vivemos no país que pune a bandeira, não quem a carrega, como se a combinação mastro-pano tivesse vida própria.
Dá um pesquisada no YouTube e verá alguma coisa. A mais bonita, disparada, é essa aqui goo.gl/eaKHp3. Não vou descrever, apenas vá lá e veja.
Para entrar no tema, um breve relato. Em 1995, torcedores de Palmeiras e São Paulo fizeram do Pacaembu, em um jogo de juniores, uma praça de guerra. A torcida do Verdão invadiu o campo para comemorar o título da Supercopa de juniores. A do São Paulo invadiu do outro lado e o pau quebrou.
O grande problema é que no tobogã, que estava fechado e por onde a torcida do São Paulo invadiu, havia uma pilha enorme de restos de construção, porque o local estava em obras. Paus e pedras a gosto do freguês. Os envolvidos se armaram e deu no que deu. Quem não queria brigar, deixou o estádio. Quem queria, ficou.
Márcio Gasparin, então com 16 anos, torcedor do São Paulo, foi internado em estado grave. Morreu oito dias depois. Antes de sua morte, três dias após a briga, federação e PM anunciaram veto a bandeiras e faixas com nome ou símbolo das organizadas.
Adalberto Benedito dos Santos foi condenado pela morte de Gasparin a 14 anos de prisão. Homicídio duplamente qualificado. Em segunda instância, em 1998, a decisão foi ratificada. Pelas nossas leis, cumpriu só quatro e foi solto. A ação da família de Gasparin contra a prefeitura, por largar aquele monte de "arma" à disposição daqueles imbecis, pedindo indenização entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, não deu em nada. A justificativa foi que Gasparini estava no gramado e "havia dado causa ao evento".
Os pedaços de pau usados na briga não eram de bandeiras. Eram dos entulhos.
Mas a culpa era das bandeiras. Não de torcedores imbecis nem do negligente poder público.
Tanto que em 1996, na onda de combate à violência das torcidas, uma lei estadual vetou "hastes ou suportes de bandeiras" de estádios e ginásios.
Se o torcedor, qualquer dias desses, usar suas calças como armas, ateando fogo nelas por exemplo, talvez tenhamos alguma lei que permita só torcedores seminus nos estádios.
Voltando às bandeiras.
Em 2011, o governador Geraldo Alckmin vetou alteração na legislação, aprovada na Assembleia Legislativa, para que as bandeiras com mastros voltassem.
Dezesseis anos depois, a culpa continuava sendo das bandeiras.
E era também dos bandeirões (os sem mastro), das faixas e dos instrumentos musicais, esses agora com salvo-conduto, com restrições, talvez por bom comportamento.
Mas os mastros (aqueles do vídeo que você viu lá em cima... e aí o que achou?), ainda não, porque aí precisa alterar uma lei. Alteração que há seis anos já tentaram, mas que parou após veto do mesmo governador de hoje. Talvez não vale a pena perder tempo com isso de novo.
No dia em que a Folha de S. Paulo publicou a proibição das bandeiras das organizadas, lá em 1995, uma nota no pé da página apontava que a polícia italiana havia divulgado que 3.121 torcedores do país estavam proibidos de entrar nos estádios na temporada 95/96 por atos de violência.
Vinte e dois anos depois, pelas bandas de cá, segundo levantamento do UOL junto ao TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo, em fevereiro, em todo o nosso Estado eram apenas 175 torcedores proibidos de ver jogos.
Talvez a culpa continue sendo das bandeiras.
Pitaco...
NEYMAR
Neymar joga muito e tem direito de escolher ganhar mais. Tem direito de escolher defender o clube que quiser. Só precisa cumprir o que estiver escrito, o que até agora ninguém contestou que ele não tenha cumprido. Pode achar que idolatria com uma camisa é bobagem, pode querer ser a estrela máxima de onde for jogar. Tem todo esses direitos. Agora que é um personagem sem graça e completamente artificial quando abre a boca, difícil discordar. E não é porque é um jovem com tanto dinheiro que não sabe nem como gastar. Questão de perfil mesmo.