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Estatais, o desperdício

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Dirceu Cardoso Gonçalves | Tenente da PM e dirigente da Aspomil - 29/07/2017-19:10:34 Atualizado em 29/07/2017-19:10:07

A prisão do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, consumada na quinta-feira, leva à suposição de que agora chegou a vez dos dirigentes e ex-dirigentes de estatais envoltas em irregularidades. Também há a expectativa de que esses executivos irão delatar com mais facilidade que os empresários privados e os militantes políticos já recolhidos. Se essas duas variáveis se confirmarem, muitas e inacreditáveis revelações deverão chegar aos ouvidos do povo e demonstrar o quanto o dinheiro público foi - e talvez ainda seja - desviado do nobre objetivo de custear serviços à população.
Com mais de 140 empresas estatais, muitas delas operando no vermelho, o Brasil é o exemplo de uma república estatizada e corrompida. Controladas pelo governo, essas empresas se transformaram em cabides de empregos para acomodar cabos eleitorais, parentes, amantes e outros indicados por políticos e gente importante. Inchadas, em vez de dar lucro ou pelo menos empatar entre receita e despesa, dão prejuízo que acaba absorvido pelo Tesouro Nacional.
A existência de empresas estatais só se justificou na fase inicial do desenvolvimento nacional. O governo investiu em siderúrgica, hidrelétricas e outros empreendimentos de base para desenvolver tecnologia e fornecer o mercado nascente. Depois de passada a fase de implantação das atividades, o ideal é que tudo seja passado, mediante venda ou concessão, para a iniciativa privada. Parte disso já foi feita com siderúrgicas, empresas de eletricidade, de telecomunicações e até rodovias. Mas ainda permanecem estatais os correios, alguns bancos e outros empreendimentos que funcionariam melhor nas mãos da empresa privada, onde ficariam livres do inchaço e dos achaques políticos.
O governo não deve ser empresário. Sua participação tem de ser apenas no erguimento do setor e, uma vez consolidado, tudo ser passado à iniciativa privada e só a atividade normativa e fiscalizadora ficar nas mãos estatais. Isso fortaleceria a economia nacional e aliviaria o elevado custo da maquina estatal, além de torná-la imune às indecências como o Mensalão, o Petrolão, o Eletrolão e outras que hoje arrastam para os bancos dos réus executivos, políticos e até governantes. O Brasil sem empresas estatais será mais saudável, progressista e não precisará praticar a astronômica carga tributária que hoje pesa sobre os ombros de suas empresas e cidadãos. Privatizar todas as estatais, essa sim, seria a grande reforma brasileira. Quem se habilita?...