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A 4ª força

Lance Livre por Claudio Gioria

Claudio Gioria | Editor-chefe do TODODIA e escreve aos sábados - 14/07/2017-22:39:39 Atualizado em 14/07/2017-23:47:00

Por que será que ofende tanto os corintianos o fato do time ter sido definido como a quarta força de São Paulo antes de a bola rolar em 2017?
Não sei quem primeiro definiu o Corinthians como a quarta força, mas no início do ano essa era uma análise tão óbvia que é difícil entender a revolta de hoje.
Não era um ranking de grandeza. Era uma análise de como terminou 2016 e o que cada clube de São Paulo mudou ou manteve para este ano.
É bom lembrar: o Corinthians fechou 2016 perdendo para o Cruzeiro por 3 a 2, ficando fora da Libertadores e vendo o campeão Palmeiras somar 25 pontos a mais. O vice Santos fez 16 a mais. O time, então dirigido por Oswaldo de Oliveira, oscilou demais.
Aí, para 2017, o Corinthians apostou em um auxiliar como técnico. Na verdade, nem aposta foi. Sobrou Carille, porque o presidente Roberto de Andrade inclusive já o havia descartado, quando da demissão de Oswaldo de Oliveira. Carille só assumiu porque o Corinthians se viu sem opções, após não conseguir Reinaldo Rueda.
Reforços antes do início da temporada? Gabriel, Pablo, Paulo Roberto, Fellipe Bastos, Jô e Kazim. Nada, convenhamos, para subir de patamar. Pablo era uma aposta, Gabriel um bom volante e de Jô ninguém sabia ao certo o que esperar. O restante chegava para compor elenco.
Imagine você se alguém, ao invés de classificar o Corinthians como quarta força, apostasse no Timão campeão paulista e, na sequência, com 11 vitórias e dois empates nas 13 primeiras rodadas do dificílimo Campeonato Brasileiro? E nem falo dos apenas cinco gols sofridos nessa série porque daí o cara seria internado à força.
Ser considerada a tal quarta força no início do ano e ocupar a posição de hoje após apenas um semestre deveria ser motivo de orgulho para todos que lá estão, e não de revolta na linha "o Corinthians nunca será a quarta força", como tanto se repete por aí.
O Corinthians já foi, o São Paulo já foi, o Palmeiras já foi e o Santos também. Todos não só foram a quarta força do Estado, como a quinta, a sexta... E também a primeira, a segunda. Não de grandeza, pois todos são gigantes. Falando apenas em futebol. E futebol é cíclico. Uma hora você está no topo da roda gigante, outra no meio, outra lá embaixo.
Ninguém menosprezou o Corinthians no início da temporada. Apenas analisou com base nisso tudo que você leu até aqui. Então não há motivo para toda hora jogador ficar lembrando dessa chatice, como vira-e-mexe acontece após mais uma vitória. Mesmo porque quem isso fizer também manda indiretas ao comandante.
Olha o que Carille, costumeiramente equilibrado nas entrevistas, tanto nas raras derrotas quanto nas várias vitórias, disse em abril, quando o Corinthians nem campeão paulista era ainda:
"Até nós mesmos achávamos que éramos quarta força. Mas procuramos nos fechar, olhar no olho de cada um e falar a verdade. Não esperava tudo tão cedo. Mas no começo do ano éramos a quarta força".
Simples assim.
Como Tite já fez no mesmo Corinthians, em proporções e alcances muito maiores, Carille também já conseguiu em alguns meses mostrar que é possível fazer omelete sem uma grande fartura de ovos.
Nem sempre dá certo, mas às vezes tudo se encaixa. O Corinthians, com trabalho e competência, encaixou.
E hoje é a primeira força.
E - é bom explicar isso no mundo de hoje - isso não é ofensa aos outros.
Pitaco
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