OK
Close

Asma x bronquite

TodaGente

Texto | Claudete Campos Fotos | Divulgação | 08/07/2017-16:42:12 Atualizado em 08/07/2017-16:49:49

É comum as pessoas confundirem asma e bronquite. E nesta época de baixas temperaturas, as duas enfermidades incomodam demais. O diagnóstico é essencial e as formas de prevenção também. Especialistas explicam as diferenças e dão dicas para amenizar os sintomas.
Todos estão sujeitos a doenças respiratórias no inverno, mas os alérgicos, que representam 35% da população brasileira, segundo o Ministério da Saúde, estão mais sujeitos a problemas respiratórios no inverno, informou, em nota, o médico Marcello Bossois, coordenador técnico do Brasil Sem Alergia. "O alérgico já tem um sistema imunológico desregulado, aumentando as possibilidades de maiores complicações respiratórias", informou Bossois. As crianças, gestantes, os idosos e as pessoas com doenças crônicas também preocupam, pois são vulneráveis a infecções secundárias graves, como pneumonia crônica.
A bronquite não é considerada uma doença. É a inflamação dos brônquios e pode ser causada por vários fatores, como alergias, quadros infecciosos e irritativos. Já a asma é uma doença, e tem cunho genético e hereditário. Ela leva a uma desregulação do sistema imunológico do paciente.
O médico Dráuzio Varella, no seu canal no YouTube, disse que é comum essa confusão por causa dos mesmos sintomas: tosse, chiado no peito e produção exagerada de muco e broncoconstrição (fechamento dos brônquios para impedir a passagem de agente irritante). A diferença é a duração. Nas crises de asma, os sintomas surgem e desaparecem - há a exceção dos pacientes com asma moderada e grave. Na bronquite crônica, a tosse é contínua, com eliminação de muco, e permanece por mais de três meses no ano e pelo menos por dois anos consecutivos, informa Varella.
A dica de Bossois é para as pessoas procurarem o médico em caso de tosse há mais de 30 dias, pois é um forte candidato a estar com bronquite ou asma. A orientação do profissional é que as pessoas procurem ajuda especializada quando sentirem falta de ar ao fazer esforço rotineiro, como subir escada, ou prática de atividade física e até mesmo ao acordar assustado à noite com falta de ar.
FATORES
A alergologista Anna Luiza Porto Gonçalves, que faz parte dos médicos cadastrados na plataforma Doctoralia, explica que as mudanças bruscas de temperatura, o clima úmido, dias com baixa temperatura e mudança de hábitos são os principais fatores que ajudam a elevar a incidência de doenças respiratórias durante essa época.
DICAS | Como prevenir alergias respiratórias
Forrar colchões e travesseiros com material impermeável
Umidificar as narinas constantemente com soro fisiológico
Praticar atividade física
Beber bastante água
Evitar locais fechados e com pouca ventilação por longos períodos
Lavar agasalhos e cobertores antes de usá-los
Retirar de casa tudo que acumula mofo e poeira
Utilizar produtos de limpeza biodegradáveis
Vacinar-se contra a gripe
Eliminar cigarro, principalmente dentro de casa
Fonte: Pneumologista Oliver Nascimento
As causas
Asma: Uma das causas é a genética - se um dos pais for asmático o risco é de 25% e se os dois forem doentes, a probabilidade aumenta para 50%. A asma afeta pessoas de todas as idades, mas geralmente começa na infância. Um dos principais fatores desencadeantes da asma são os ácaros e micro-organismos que se alimentam de pele descamada e que habitam carpetes, cortinas e travesseiros.
Bronquite: Pode ser causada por quadros infecciosos, como pneumonia e tuberculose, por asma, doenças alérgicas, produtos químicos e poluentes; sinusite crônica que goteja secreção na laringe e traqueia e causa broncoespamo (daí necessidade de investigar seios da face) ou por medicamentos, por exemplo.
Fonte: Pneumologista Oliver Nascimento e médico Marcello Bossois
Os sintomas
Os sintomas da asma, em geral, são desencadeados pela inalação de substâncias da poeira, odores fortes irritativos para as vias respiratórias (perfumes, produto de limpeza), fumaça de cigarro, ar frio e seco (ar refrigerado), exercícios/brincadeiras ou infecções respiratórias (resfriados e gripes). Os sintomas de uma alergia respiratória podem variar, mas os mais comuns são coriza, espirros, dor de garganta e chiado no peito. Se o quadro for mais intenso, sinais gastrointestinais, como diarreia, também podem estar associados à doença. Coceira e vermelhidão na pele também podem, em determinados casos, explicar um quadro de alergia respiratória.
O diagnóstico
O diagnóstico da asma é clínico, realizado por um médico, e se baseia na presença dos sintomas de tosse (seca ou com eliminação de muco transparente semelhante à clara de ovo), chiado no peito, falta de ar, sensação de aperto no peito de forma repetida ou contínua, pela presença de histórico pessoal ou familiar de doenças alérgicas pela melhora dos sintomas com o uso de medicamento que dilata os brônquios (broncodilatadores). "Contudo, outros exames podem ajudar a confirmar essa suspeita, como a espirometria (exame de sopro). Em muitos pacientes, a asma pode ser acompanhada por sintomas no nariz (rinite) tais como coceira, espirros, coriza e fungação. Testes alérgicos deverão ser realizados para verificar se a doença tem uma natureza alérgica ou não", explica o Coordenador do Departamento Científico de Asbai (Asma da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), Flávio Sano.