OK
Close

Os riscos da leishmaniose

TodaGente

Texto | Claudete Campos Foto | Divulgação | 08/07/2017-16:42:10 Atualizado em 08/07/2017-16:42:11

A região está em alerta por causa da descoberta da leishmaniose visceral canina, em Valinhos, no final de junho. O primeiro caso foi registrado em maio, no Jardim Paraná, a partir de notificação de uma clínica veterinária particular. Até a última quinta-feira, a cidade registrou 44 casos da doença e morte de sete cães. Todos os tutores de animais domésticos devem adotar formas de prevenção, pois a doença pode levar à morte e ainda ser transmitida ao ser humano.
Para evitar mais casos, a Prefeitura de Valinhos realizou coleta de sangue em cães nos bairros afetados e o material está sendo analisado pelo Instituto Adolfo Lutz. O município aguarda resultado de 128 exames e já coletou 452 amostras nos três bairros onde foram registradas ocorrências, encerrando o protocolo de controle nessas regiões. Além disso, quatro equipes orientaram os tutores dos cães, entregaram folhetos de orientação e analisaram os imóveis.
Médica veterinária da Secretaria da Saúde de Valinhos, Silvia Santaella explicou, em nota, que o mosquito transmissor da doença tem um voo estimado em 250 metros. Por isso, a orientação foi para colocação de coleira repelente para mosquito flebótomo no cão e que o tutor tome cuidado com o ambiente onde fica o animal. Na última semana, ocorreu um treinamento a veterinários da cidade. Na próxima semana, uma equipe da Sucen (Superintendência de Endemias) estará no município para busca ativa do mosquito palha no Jardim Paraná.
A médica veterinária Karine Batagin Bacchin, da Animed, de Americana, informou que os cães, as raposas, os roedores e os equídeos são considerados reservatórios da doença, que recentemente foi descrita também em gatos domésticos (leishmaniose felina). Ela é transmitida ao homem através da picada do mosquito infectado.
Sintomas podem demorar a aparecer
Os animais infectados podem ficar até dois anos sem manifestar os sintomas da doença. "Mesmo sem a manifestação clínica da doença, os cães são o principal reservatório da doença no ciclo urbano. Por isso, proteger o cão é muito importante", informou a médica veterinária Priscila Brabec, gerente de produtos da Unidade Pet da Ceva Brasil, que desenvolve produtos para prevenir a doença.
O aparecimento dos sinais clínicos dependerá do sistema imune de cada cão, informou Priscila. Segundo ela, em 80% dos casos, os sinais presentes são problemas dermatológicos como alopécias (perda de pelos), úlceras, descamação, feridas de difícil cicatrização e hiperqueratose no focinho, ao redor dos olhos e nas orelhas. O animal também pode apresentar onicogrifose, que é o crescimento anormal das unhas, emagrecimento progressivo, anorexia, febre e apatia. Em humanos, a leishmaniose visceral afeta órgãos internos como baço e fígado. A doença é caracterizada por febre de longa duração, perda de peso, indisposição, palidez da pele e ou das mucosas, falta de apetite, entre outros. Quando não tratada, pode evoluir para óbito em mais de 90% dos casos.
Dicas
Manter as áreas ao redor da casa e o pé das árvores limpos e com espaço para a passagem da luz do sol no solo. O mosquito se reproduz em matéria orgânica em decomposição, na umidade e área sombreada
Colocar telas nas portas e janelas e no abrigo dos cães para impedir a entrada do mosquito, que tem hábito noturno
Também é recomendado o uso de repelentes, de camisa de manga comprida e calça nos trabalhos ao redor de casa
Colocar coleira repelente contra o mosquito flebótomo nos cães
Fonte: Prefeitura de Valinhos