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Casamento de filha de ministro acaba com convidados ilhados

Brasil e Mundo

FOLHAPRESS CURITIBA | 15/07/2017-20:10:37 Atualizado em 15/07/2017-20:10:26

No início, foram ovos. Depois, vieram copos de cerveja, garrafas, algumas pedras, cuspe e até lixo. Todos arremessados contra uma noiva que subia ao altar.
A noiva era a deputada estadual Maria Victória Barros (PP) -filha do ministro da Saúde, Ricardo Barros, e da vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti.
O clã pepista, que está na política há três gerações, casava a caçula de 25 anos na noite de anteontem, em uma igreja histórica no centro de Curitiba, com recepção para 1,2 mil pessoas. O presidente Michel Temer (PMDB) foi convidado, mas não compareceu. Em frente, dezenas de pessoas se reuniram para protestar contra o que chamavam de "casamento ostentação". Houve relatos de ao menos duas pessoas feridas - um manifestante e um policial.
Em 2015, a deputada votou a favor de um pacote fiscal do governo de Beto Richa (PSDB), que terminou em protesto com dezenas de pessoas feridas e cuja lembrança inflamava parte dos manifestantes. Parte deles também reclamavam de falta de remédios nos postos de saúde, fim de direitos trabalhistas e votações tramitadas a galope.
Aos manifestantes, parte de sindicatos e partidos de oposição ao governo federal, somaram-se estudantes e frequentadores dos bares ao redor, aos gritos de "golpistas" e "Fora, Temer". Alguns carregavam cartazes criticando a condenação de Lula na Lava Jato.
Convidados eram vaiados e xingados na entrada. A noiva, chamada de "vagabunda" e "filha da p...", teve que ser escoltada por policiais - e guarda-chuvas - para chegar à igreja. Mas teve o vestido manchado.
Na saída, convidados ficaram ilhados na igreja por quase duas horas, ao som de ovos espatifados contra as paredes. Um grupo de músicos tocava tambores e cornetas próximo às janelas. Cerca de 30 policiais do choque, com escudos e capacetes, cercavam a porta.
Os noivos e os pais saíram de van, escoltados pela polícia. Mais ovos foram atirados contra o veículo, que foi cercado. Convidados que seguiam a pé para a festa foram xingados e também tiveram copos e ovos arremessados contra si. Mulheres e crianças choravam, mas alguns discutiam e retrucavam: um deles mostrou o dedo do meio à rua, já na festa. "A gente joga ovo, e eles jogam balas de borracha, bombas de gás", comentou o estudante Almeida Júnior.
Em nota, a PM informou que foi acionada "em face de manifestações agressivas", e que atuou pela "segurança dos manifestantes e a garantia da liberdade de ir e vir". Barros não quis comentar o episódio, assim como outros membros da família.