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Mocinhos ou vilões?

TodaGente

Texto | Claudete Campos Foto | Divulgação | 01/07/2017-19:37:10 Atualizado em 01/07/2017-19:44:07

A liberação da prescrição, manipulação e venda de inibidores de apetite para perder peso está no centro de polêmica nas últimas semanas. O presidente em exercício Rodrigo Maia (DEM-RJ) sancionou em 23 de junho a lei aprovada pelo Congresso que permite a prescrição dos inibidores de apetite anfepramona, femproporex e mazindol. Isso gerou reação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Os médicos da SBEM-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia da Regional São Paulo) se manifestaram a favor da medida.
Ainda estava sendo prescrita a Sibutramina no País, mas os outros três medicamentos estavam proibidos desde 2011. Antes disso, em 2010, a SBEM já havia se posicionado a favor da liberação dos inibidores de apetite, informou a médica endocrinologista Maria Edna de Melo, membro da Sociedade e do grupo de Obesidade do Hospital das Clínicas em São Paulo.
Segundo a médica, não existe comprovação científica que embase a retirada dos inibidores do mercado, como malefícios à saúde ou até mesmo morte de pacientes em tratamento. O que ocorria, na verdade, era o comércio ilegal e o uso dos medicamentos apenas para fins estéticos em vez do tratamento da obesidade em si, afirmou. E esses medicamentos liberados são antigos, baratos e sem patente, apontou.
A endocrinologista explicou que esses medicamentos liberados agora podem ser úteis a muitos pacientes que têm dificuldades em perder peso. Segundo a médica, apenas 20% dos pacientes com obesidade conseguem manter o estilo de vida saudável - com alimentação balanceada e prática de atividades físicas - por longo prazo.
O assunto repercutiu porque a demanda por esses medicamentos é muito grande no Brasil, país com 30 milhões de obesos. As únicas contraindicações são para pacientes com doenças psiquiátricas e com alterações cardiovasculares. Segundo a médica, não há estudos comprobatórios de que os inibidores causem surtos psicóticos e doenças cardiovasculares.
"Com o uso racional não tem justificativa para essa propaganda sensacionalista antimedicamentos", explicou a médica. Pode ocorrer risco de morte apenas com o abuso, segundo a profissional.
Anvisa diz que pode haver riscos à saúde
A Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) lamentou a sanção da autorização para produção, a comercialização e o consumo de medicamentos à base das substâncias anorexígenas. O órgão alegou que o Congresso não teria capacidade para fazer uma análise técnica sobre os requisitos exigidos para autorizar a comercialização. "Essa lei, além de inconstitucional, pode representar grave risco para a saúde da população. Legalmente, cabe à agência a regulação sobre o registro sanitário dessas substâncias, após rigorosa análise técnica sobre sua qualidade, segurança e eficácia. Assim ocorre em países desenvolvidos e significa uma garantia à saúde da população", trouxe a nota. Segundo a Anvisa, a decisão vai contra o que ocorre em outros países desenvolvidos.
Quem pode usar
Segundo a endocrinologista Maria Edna de Melo, esses inibidores de apetite são indicados para pacientes com IMC (Índice de Massa Corporal) igual ou maior do que 25, que indica que o paciente tem sobrepeso, e que tenha doenças como diabetes, apneia do sono, artrose. Ou por aqueles com IMC acima de 25, sem qualquer doença associada. O cálculo desse índice considera o peso dividido pela altura.
Como é no exterior
Femproporex: Não é aprovado nos EUA e foi proibido na Europa em 1999
Mazindol: Foi retirado dos mercados dos EUA e da Europa em 1999
Anfepramona: Começou a ser utilizada em 1997. É vendida nos EUA, mas não é aprovada na Europa