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Os bebês silenciosos

TodaGente

Texto | Claudete Campos Fotos | Divulgação | 10/06/2017-17:37:32 Atualizado em 10/06/2017-18:23:27

Alguns dos momentos mais esperados pelos pais após os nascimentos dos filhos são os primeiros passos e as primeiras palavras. Quando ocorre um atraso na fala, os pais e os professores nas escolinhas infantis devem ficar atentos aos chamados bebês silenciosos. Alguns sinais podem indicar um transtorno chamado apraxia da fala, que atrapalha no desenvolvimento da criança e no aprendizado.
Esse transtorno da articulação compromete a capacidade de programar a posição da musculatura dos órgãos fonoarticulatórios (lábios, língua, palato mole, palato duro e dentes) e a sequência dos movimentos musculares para produzir sons e palavras.
O bebê não consegue programar os órgãos para falar. Não consegue enviar informações corretas ao cérebro para planejar e executar os movimentos envolvidos na fala. Isso apesar de ter sistemas motores normais, ouvir normalmente e compreender.
Então, o que os pais e os professores podem fazer para tentar identificar esses casos? A neuropediatra e cofundadora da Neurokinder, Karina Weinmann, cita os sinais de alerta. O principal deles é que os bebês silenciosos não se envolvem facilmente em jogos vocais, nas brincadeiras de imitar os sons e apresentam um balbucio empobrecido.
O diagnóstico final só pode ser fechado a partir dos 3 anos. É importante que os pais fiquem atentos aos marcos do desenvolvimento da fala para acompanhar o progresso da criança.
"Percebemos um atraso na emissão dos primeiros vocábulos, que estão presentes normalmente por volta dos 12 meses, podendo aparecer só após os 19 meses. Quando pensamos em combinação das primeiras palavras, como 'qué mamá', por exemplo, pode demorar ainda mais e só acontece por volta dos 33 meses, quando o normal seria aos 24 meses", explica a neuropediatra.
ESCOLA
"De qualquer forma, o mais importante é que a intervenção terapêutica comece o quanto antes, pois quanto mais cedo maiores as chances de melhora do quadro. Além disso, a escola tem função essencial no processo terapêutico e deve estar envolvida com o neuropediatra, o fonoaudiólogo e a família", ressalta a neuropediatra.
Os Sintomas
Usa expressões faciais, gestos, sons não verbais, vocábulos isolados e frases sociais para se comunicar
Dificuldades para mandar beijos, sorrir, movimentar a língua para cima, fazer bico e soprar
Repertório reduzido de fonemas (sons)
Troca de palavras de forma inconsistente, como chamar a chupeta de "pu" e depois de "ba"
Quanto maior a palavra, maior será a dificuldade
Monotonia e lentidão da fala
Perda de palavras já usadas, ou seja, a criança pode ter conseguido falar uma palavra e nunca mais a pronunciar
Fonte: Fonoaudióloga da NeuroKinder, Ana Carolina Pacheco
O tratamento
O objetivo da terapia fonoaudiológica é ajudar o paciente a dominar o controle voluntário para programar a posição correta dos órgãos fonoarticulatórios, para produzir corretamente os fonemas e as palavras
A evolução do tratamento da apraxia da fala é lenta e requer muita dedicação do paciente, do terapeuta e da família, já que são dados exercícios que devem ser praticados intensivamente, durante todos os dias
Cada criança irá responder de uma maneira ao tratamento. Quando há outros transtornos associados à apraxia o resultado é variável
Fonte: Fonoaudióloga Ana Carolina Pacheco