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'Era um inferno autêntico', diz sobrevivente de incêndio que matou 61 pessoas em Portugal

Brasil e Mundo

18/06/2017-20:36:58 Atualizado em 18/06/2017-20:36:53
Agência Brasil
DESTRUIÇÃO | Fogo se alastrou pelas rodoviais e atingiu veículos

"Não se via nada na estrada, porque estava tudo a arder. Era um inferno autêntico", descreve Maria de Fátima Nunes, moradora de Pedrógão Grande, região no centro de Portugal, que conseguiu escapar do maior incêndio florestal da história do país.
Até agora, autoridades já confirmaram 61 mortos e 57 feridos no fogo que começou na tarde de sábado (manhã do Brasil).
Maria de Fátima e o marido foram algumas das centenas de pessoas que, diante da proximidade das labaredas, tentaram usar as rodovias da região para escapar. Com as altas temperaturas -cerca de 40ºC- e os ventos fortes, a estrada rapidamente também acabou tomada pelas chamas.
"Fomos por lá porque não se sabia que a estrada estava em perigo", explica Maria,
"Não se via nada, nada. Era horrível. Os pinheiros começaram a cair para cima dos carros", descreve ela, que, assim como o marido, conseguiu escapar do carro e da estrada, apesar de queimaduras de primeiro e segundo graus nos braços e no pescoço.
A moradora diz que houve pânico na estrada e que vários veículos acabaram batendo, diante da fumaça e das árvores incandescentes que tombavam no caminho. "Eu gritei para a senhora que estava no carro atrás de mim sair, mas ela não conseguiu", relata. Ela diz que perdeu documentos, dinheiro e quase todos os pertences com incêndio.
O incêndio florestal na região de Leiria, próxima a Coimbra, já é o maior da história de Portugal. Chegou-se a cogitar que o fogo seria criminoso, mas a hipótese foi descartada. Segundo a PJ (Polícia Judiciária), o fogo começou com um raio que atingiu uma árvore. Com os ventos fortes, o clima seco e as altas temperaturas, as chamas rapidamente se alastraram. | FOLHAPRESS