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Temer, Claudião, guerra

Um pouco mais... por George Aravanis

George Aravanis | Editor executivo do jornal TODODIA - 17/05/2017-22:52:21 Atualizado em 18/05/2017-00:44:59

Em março de 2009, cinco vereadores da pequena Igarapava, no interior paulista, foram presos em flagrante quando tentavam obrigar o prefeito da cidade a pagar um mensalinho de R$ 5 mil a cada um. Toda conversa foi gravada pelo Ministério Público, que apurava o caso depois de receber uma denúncia.
Desde o dia seguinte à prisão, quando fui a Igarapava cobrir o caso para o jornal em que trabalhava, uma coisa não me sai da cabeça: como é fácil pegar esses caras (não os de Igarapava, os do Brasil todo).
Bastava alguns políticos honestos e corajosos, alguns, não muitos, pra pegar centenas de corruptos. Não foram poucas as evidências nos últimos anos que revelaram como a coisa toda é tratada abertamente.
Assim foi em Igarapava, assim foi com a gravação do Temer. No caso do (ainda?) presidente, o áudio foi feito por um empresário que quer se safar da cadeia, numa articulação com a Polícia Federal.
Mas quantos prefeitos poderiam fazer o mesmo com vereadores? Quantos deputados poderiam armar uma arapuca para outros congressistas? Quantos presidentes e presidenta não poderiam ter botado todos os parlamentares que quisessem numa salinha com um gravador?
O problema não é poder, é querer. Quem é que quer ir pra guerra? Dilma quis? Lula? FHC, Temer?(a parte do Temer era só pra descontrair)
Ninguém quer. E depois sobra aquele papinho de que se não jogar o jogo a coisa não anda, por isso mensalão, por isso mensalinho e toda sorte de propina em forma de emendas parlamentares, cargos no governo, refinanciamento de dívidas de municípios, etc. A gente acostumou tanto com a coisa que parece até que não é crime. Parece diferente do bandido que mete uma arma na nossa cara. E é diferente mesmo, é pior.
Acerca de Temer e seu "tem que manter isso, viu?", para a propina supostamente paga a Cunha, não vale gastar mais que as duas palavras imprescindíveis há tanto tempo: fora, Temer. Se bem que perder o cargo agora deveria ser a menor das preocupações do peemedebista.
A questão que fica é: e agora? Se quase todo mundo com algum nome na política está em algum esquema, que fazer? Outro dia elegemos o Claudião aqui do jornal presidente do Brasil numa eleição simulada na redação. Era pra ser uma enquete séria, dessas que a turma daqui adora, mas enfiamos o nome do Claudião no meio e a turma o elegeu (ele derrotou o Marcelo Freixo no segundo turno, 5 a 4 ou algo assim). O Claudião nunca seria candidato nem da associação de bairro, não toparia. Quem é que quer ser candidato, ou melhor, quem é que quer ir pra guerra?