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A reforma necessária

Esportes

Claudio Gioria | Editor-chefe do TODODIA e escreve aos sábados - 19/05/2017-23:10:04 Atualizado em 20/05/2017-00:20:42

Será mesmo o político, o dirigente esportivo, seres de uma outra raça, vinda de um distante planeta de alguma longínqua galáxia?
Pois é assim que os tratamos.
"Ah, esses políticos! Só tem bandido!". "Dirigente esportivo? Só ladrão".
São frases típicas para expressar a indignação coletiva em relação a seres que, à primeira vista, são completamente diferentes de todos nós.
Essas duas raças, se isso fossem, têm uma semelhança notória. Traçam para a sua existência projetos de perpetuação no poder e usam todos os artifícios possíveis para que isso se torne realidade.
Fico imaginando de onde eles viriam, afinal eu nunca vi um político-bebê, um dirigente esportivo recém-nascido. Como seriam eles uma raça se a gente não conhece os filhotes?
Talvez esse um primeiro indício que eles, de fato, não sejam raças do tal distante planeta da tal longínqua galáxia, que chegaram na Terra em espaçonaves invisíveis para dominarem o planeta de uma forma digamos não muito ortodoxa para desespero de toda a humanidade.
Mas é assim que os tratamos. Como outras raças.
Cá, estamos todos nós, autodefinidos como cidadãos do bem, trabalhadores, que pagam seus impostos, que trabalham duro dia após dia para colocar comida na mesa da família. Aqueles do "suor no rosto".
Lá, todos os políticos e dirigentes esportivos. Que levam a vida numa boa, com luxo, poder e dinheiro.
Mas entre nós, cidadãos do bem (será que são tantos assim?), existem muitos que tentam a vida na política, outros tantos que tentam ocupar altos cargos no comando do esporte.
Mas já que cá só tem cidadão do bem (será?), seria maravilhoso se fossem esses os nossos governantes, legisladores, dirigentes esportivos.
Se assim fosse, não teríamos a política mergulhada em um mar de lama que, quando a gente acha que já chegou ao ponto mais fundo, abre-se um buraco cujo fundo provavelmente será mais um outro imenso buraco, maior ainda.
Se assim fosse, não teríamos o esporte mergulhando em escândalos no vôlei, na natação, no futebol, no atletismo... Não sei qual modalidade fica fora dessa lista. E escândalos de todos os tipos. De doping (talvez a pior das trapaças), de propina, de compra de árbitro, de desvio de dinheiro público, de "pedágio". De tudo.
Não, o político não é outra raça. Infelizmente, o dirigente esportivo também não. Não temos como colocá-los em suas espaçonaves invisíveis e mandá-los de volta para algum lugar no espaço.
Não existe diferença entre o político e os autodefinidos cidadãos do bem que expressam suas indignações em redes sociais todos os dias (no Facebook só tem gente honesta, já reparou?). São todos seres da mesma raça. Assim como o dirigente esportivo.
A constatação é muito triste, mas o problema está longe de ser um político e não passa nem perto de se resumir a um dirigente esportivo.
Antes de ser político, antes de ser dirigente, ele era um cidadão, como eu, como você.
Sim, tudo a mesma raça.
O nosso problema é muito mais grave.
A raça humana envolve todos. É extremamente falível em questões de princípios, de valores éticos, e parece que piorou. Altamente corruptível e sem preparo moral para ter nas mãos o poder.
Mais importante que reformas trabalhista, política ou previdenciária, é uma reforma de comportamento, de caráter e de conduta.
Para toda raça.
Alguém deveria pensar nisso.