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Motor 1.0 TSI de 125 cavalos da Volkswagen traz desempenho convincente

Veículos

DA REDAÇÃO | 29/05/2017-19:04:50 Atualizado em 29/05/2017-19:04:53

A Volkswagen mais uma vez surpreendeu o mercado, com a introdução de uma nova geração do seu conceituado motor 1.0 litro de três cilindros com tecnologia TSI Total Flex. Produzido em São Carlos – SP, esse novo motor entrega potência máxima de 125 cavalos, além do impressionante torque de máximo de 200 Nm (20,4 kgfm). Esse novo motor 1.0 TSI equipa o Golf versão Comfortline, já disponível no mercado.
Com esse novo motor, a Volkswagen aposta cada vez na tecnologia TSI. Atualmente, a marca já tem o três cilindros 1.0 TSI com 105 cv (Up), o 1.4 TSI de 150 cv (Golf e Jetta), o 2.0 TSI com 211 cv (Jetta e outros importados), e o impressionante 2.0 TSI com 220 cavalos, exclusivamente no Golf GTI.
Numa rápida explicação, os motores TSI da Volkswagen se comparam aos seguintes concorrentes:
1.0 TSI de 105 cv – 1.4 e 1.5 litro aspirado
1.0 TSI de 125 cv – 1.6 e 1.8 litro aspirado
1.4 TSI de 150 cv – 2.0 litros aspirado
2.0 TSI de 200 até 220 cv – V6 aspirado
Vale lembrar que o motor 1.0 TSI foi o primeiro motor com injeção direta, turbocompressor e flexível em combustível produzido no Brasil. Assim, a Volkswagen se consagra como a fabricante com a maior oferta de veículos equipados com motores que combinam injeção direta de combustível e turbocompressor, permitindo o downsizing (redução da cilindrada), com menor consumo de combustível, mas mantendo um ótimo desempenho.
Desempenho muito convincente
É fato conhecido que a maioria dos brasileiros usuários de automóveis tem enorme preconceito com moto res de baixa cilindrada. Assim, motor 1.0 litro é sinônimo de fraqueza e baixíssimo desempenho. Mas a cilindrada não é o que define o desempenho de um motor, e sim a tecnologia empregada para se obter potência, e principalmente o torque. Isso sim é o que importa para o resultado final. O torque é o maior responsável pela aceleração de um veículo.
A título de comparação, o torque de 200 Nm (20,4 kgfm) do novo motor 1.0 TSI é maior do que o torque máximo ofertado na maioria dos sedans médios equipados com motores quatro cilindros, de 2.0 litros aspirados, como: Toyota Corolla (20,7 kgfm), Renault Fluence (20,3 kgfm), Nissan Sentra (20 kgfm), Honda Civic (19,5 kgfm) e Hyundai Elantra (20,6 kgfm). Essa proeza é possível graças aos recursos da tecnologia TSI que engloba: o turbo, a injeção direta e outras melhorias que veremos nessa matéria.
Nesse sentido, o novo motor 1.0 TSI realmente impressiona. No Golf Comfortline TSI os números de desempenho e consumo de combustível comprovam as virtudes da tecnologia TSI. O modelo acelera de 0 a 100 km/h em apenas 9,7 segundos e atinge a velocidade máxima de 194 km/h, quando abastecido com etanol. Esses números superam com folga os resultados obtidos com motores 1.6 litro, 1.8 litro e até alguns 2.0 litros, sempre com tecnologia aspirada.
Muito econômico mesmo
Mas não é só o desempenho que é impressiona. Em termos de eficiência energética, o Golf Comfortline TSI recebe classificação “A” no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular do INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), com consumo energético de apenas 1,66 MJ/km. Ou seja, o consumo é equivalente a motores aspirados de 1,6 litro!
Nesse Golf, a autonomia é excelente. Com gasolina, são 11,9 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada. Com etanol, são 8,4 km/l na cidade e 10,1 km/l na estrada. Números obtidos conforme as medições do INMETRO. Mas em nossos testes, rodando com o carro em rodovia à velocidade constante de 110 km/h e abastecido com gasolina, obtivemos médias de até 17 km/l.
Detalhes do novo motor 1.0 TSI
É “fato” que os resultados impressionam. Mas para se chegar nisso, a Volkswagen precisou fazer muitas mudanças no já conhecido motor 1.0 litro TSI, que equipa o Up TSI com 105 cavalos.
O novo motor 1.0 TSI de 125 cavalos, mantem a configuração de três cilindros e 999 cm³ de cilindrada, com a tecnologia flex. Sua potência máxima é de 116 cv (85 kW) a 5.500 rpm, quando abastecido com gasolina, e de 125 cv (92 kW) à mesma rotação, com etanol.
Mas é o torque máximo que impressiona. São excelentes 200 Nm (20,4 kgfm), com gasolina ou etanol, a partir de 2.000 rpm. Já a 1.500 rpm (pouco acima da marcha lenta) o motor já oferece 175 Nm (17,8 kgfm) com etanol.
Pouca gente sabe, mas na maioria das situações, o motorista precisa mesmo do torque. A potência máxima de um motor, só é utilizada quando o carro está em situações de alta velocidade. Em todos os outros casos (acelerações e retomada de velocidade) é o torque que faz o trabalho. Assim, quanto maior o torque, e com disponibilidade em menor rotação, mais ágil o carro será.
Para subir de 105 cv para 125 cavalos, e de 16,8 kgfm para 20,4 kgfm, muitas mudanças foram feitas no motor. A produção de mais potência eleva a geração de calor, o que requer componentes adequados a essas novas condições. Uma delas é a alteração do turbocompressor.
O novo turbo
Na versão do motor 1.0 TSI aplicada ao Golf, o turbocompressor trabalha com temperaturas mais elevadas e com maior pressão, elevando o volume de ar que é enviado ao motor. Para isso, adotou-se nova carcaça, feita agora de liga de aço, para aumentar ainda mais sua robustez.
Ao se utilizar turbocompressor, parâmetros como potência e torque são aumentados significativamente em comparação a um motor de mesma cilindrada com aspiração natural. O turbocompressor aproveita gases de escapamento para acionar a turbina, que comprime mais ar dentro do motor.
Para maior eficiência, o ar comprimido para dentro do motor é resfriado pelo intercooler. O ar frio é mais denso, e ocupa menos espaço. E por isso pode ser enviado em maior volume para dentro dos cilindros.
A refrigeração do próprio intercooler é feita por um radiador auxiliar, que também faz o resfriamento da turbina (com circuito específico de líquido de arrefecimento) por meio de uma bomba elétrica, e que pode funcionar independente do motor, aumentando a durabilidade do conjunto turbocompressor.
Válvula wastegate
A válvula wastegate (ou válvula de passagem) é o “acelerador” do turbo, controlando a passagem dos gases de escape pela turbina. No 1.0 TSI Total Flex, essa válvula wastegate possui abertura variável, controlada eletronicamente. Para o 1.0 TSI de 125 cavalos, foram adotados novos parâmetros de comando da válvula, para aumentar a velocidade do turbo e, gerar maior pressão (subiu de 0,9 para 1,3 bar).
Em baixos regimes de rotação, a válvula wastegate se fecha de modo a permitir ao turbocompressor receber toda a corrente de gases de escapamento, o que assegura formação de torque consistente.
Para reduzir as perdas durante a mudança de carga, quando o motor esta operando em carga parcial, a contrapressão de escapamento pode ser reduzida ao se abrir totalmente a válvula wastegate. A resposta do motor é melhorada sensivelmente, porque o atuador elétrico da válvula wastegate é capaz de regular a pressão na válvula muito rapidamente.
Injeção direta
A tecnologia TSI está baseada na injeção direta de combustível. Por meio desse sistema, o combustível é injetado sob alta pressão diretamente na câmara de combustão, dentro do cilindro. No motor TSI Total Flex, a pressão é bastante elevada com 250 bar.
Em comparação com o sistema de injeção convencional (indireta, realizado no coletor de admissão), a injeção direta é mais precisa, injetando a quantidade adequada de combustível em todas as condições de uso. Essa injeção de alta pressão permite maior pulverização do combustível, o que melhora a combustão e colabora para menor consumo.
Novas velas de ignição
O motor TSI Total Flex de 125 cv é equipado com novas velas de ignição, com eletrodo central de irídio (que oferece maior durabilidade). O cabeçote é usinado de forma a garantir que a vela de ignição, tenha seu eletrodo sempre direcionado para o injetor. Além disso, o sistema de injeção direta é composto pela bomba de combustível, pelo sensor de etanol, bomba de alta pressão e pela galeria de injeção.
O sistema de injeção conta com um sensor de etanol (exclusividade nesse segmento), posicionado antes da bomba de alta pressão, que identifica o combustível que vai ser queimado. Esse sensor, que trabalha em conjunto com a sonda lambda (posicionada junto ao catalisador), aumenta a precisão na “leitura” da combustão da mistura ar-combustível e a robustez de todo o conjunto, prevenindo a ocorrência de picos de pressão e auxiliando na partida a frio.
Coletor de escape integrado ao cabeçote
O gerenciamento térmico do motor foi calculado nos mínimos detalhes. O coletor de escapamento do TSI Total Flex é integrado ao cabeçote, formando uma peça única, e tem seu próprio circuito de arrefecimento líquido. Isso permite fazer o melhor uso possível de energia dos gases de escape durante a fase de aquecimento – o líquido de arrefecimento atinge a temperatura ideal de funcionamento mais rapidamente durante a fase fria do moto r, porque recebe o calor dos gases de escape. Em alto regime de utilização, ocorre um controle preciso da temperatura dos gases de escape na entrada do catalisador, permitindo que se opere mais tempo com a mistura ar-combustível ideal.
Com à utilização de bloco ultra rígido feito de alumínio leve fundido sob pressão e sua construção compacta com três cilindros em vez de quatro, o motor TSI Total Flex é cerca de 10 kg mais leve do que os equivalentes de quatro cilindros.
Para a aplicação no Golf Comfortline, as válvulas de escape possuem hastes com inserto de sódio, para seu resfriamento. São acionadas por balancins roletados (RSH, sigla para o termo alemão rollenschlepphebel), recurso que minimiza o atrito entre os componentes e aprimora sua eficiência.
A tampa do cabeçote possui projeto específico para a utilização de injeção direta e é construída de forma inovadora, em um processo que integra os eixos de comando (admissão e escape) e os cames de acionamento das válvulas permanentemente. Esse design permite a redução do diâmetro dos mancais dos eixos e, consequentemente, de atrito.
Maior refrigeração
O sistema de arrefecimento do motor TSI Total Flex foi redimensionado para sua aplicação ao Golf e utiliza radiadores principal (para o motor) e auxiliar (para o intercooler) de maior capacidade, medida necessária por causa do maior calor gerado pela potência elevada. Assim, o radiador auxiliar é 170% maior, que o utilizado no VW Up com 105 cavalos.
O motor TSI Total Flex possui duplo circuito de arrefecimento, que permite temperaturas diferentes para o bloco e para o cabeçote. O motor é arrefecido por um circuito de alta temperatura por meio de uma bomba d’água acionada mecanicamente. Com esse recurso, é possível utilizar maior temperatura de funcionamento para o bloco, tornando o óleo mais fluido e garantindo menor atrito entre os componentes. A temperatura do cabeçote é menor, o que minimiza a possibilidade de detonação, melhorando o desempenho do veículo e diminuindo o consumo de combustível.
Nova Transmissão
O Golf Comfortline TSI vem equipado com transmissão manual de 6 marchas de código MQ200 GA. Em comparação à MQ200 de 5 marchas utilizada no Up TSI, recebe um diferencial bem mais curto (relação de 4,353:1, ante 3,625:1 do up! TSI). Assim, de primeira a quinta marcha, o câmbio é mais curto, aproveitando melhor o torque do motor, e compensando o maior peso do veículo.
Já a sexta marcha é mais longa, proporcionando menor rotação, mais conforto e menor consumo de combustível. Assim, em 6ª marcha (com a relação 0,646:1), a 100 km/h, o motor está girando a menos de 2.500 rpm. Isso ajuda muito na economia de combustível.
Conjunto eficiente e equilibrado
Com tudo isso, o Golf 1.0 TSi é um veículo bastante ágil para as situações cotidianas. Na cidade, não existe uma situação onde o motorista vá encontrar qualquer dificuldade com essa configuração. Mesmo em saídas de rampa, o torque consistente e disponível à baixas rotações, compre o papel adequadamente. Na estrada, o Golf 1.0 TSi se comporta como qualquer outro veículo 1.8 litro aspirado, podendo ser comparado até à alguns modelos 2.0 litros.
De resto, estamos falando do já conhecido Volkswagen Golf: um dos veículos mais seguros do Brasil (segundo testes realizados pelo Latin NCAP) além de ser também bastante valorizado no momento da revenda.

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