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Produtos sazonais

Clube Gourmet

Texto | Claudete Campos Fotos | Divulgação | 12/05/2017-19:26:58 Atualizado em 12/05/2017-19:31:40

Na gastronomia, o uso de produtos sazonais é de extrema importância para consumo de alimentos frescos, mais nutritivos e com preços mais em conta em cada estação. Para valorizar esses alimentos, São Paulo sediou semana passada a 1ª Feira Viva - Edição de Outono, promovida pela Sociedade Rural Brasileira, no MuBe (Museu Brasileira de Escultura). Essa feira aproximou o mundo rural dos consumidores urbanos através da gastronomia. Produtores da região também participaram da feira, como produtor de queijos de Amparo e Maria Preta Jabuticabas, de Campinas.
O evento reuniu produtores rurais e chefs renomados, como Alex Atala, do DOM, e Helena Rizzo, do Mani. Os alimentos escolhidos para a exposição seguiram o critério da regionalidade, com práticas modernas de gestão.
"A sazonalidade é extremamente importante quando estamos falando de alimentos que serão consumidos in natura, como os legumes, frutas, verduras, frutos-do-mar...", informou a agrônoma e idealizadora da Feira Viva, Keila Malvezzi. Ao plantar um produto na época propícia significa menos uso de insumos agrícolas e manejo facilitado, porque a planta se desenvolve plenamente com poucas intervenções do agricultor e reflete no preço, pois fica mais acessível, explica a agrônoma. Para o consumidor, ingerir alimentos sazonais garante qualidade e sabor.
Horticultores apresentaram o melhor da estação em legumes e verduras não convencionais, mas adaptados ao clima tropical, como a vinagreira, a beldroega, o cara-moela, cará-roxo e outros ainda pouco conhecidos do consumidor, mas com grande potencial nutricional e econômico, informou a agrônoma.
Das frutas nativas de outono, os destaques foram para o maracujá, disseminado nos hábitos alimentares dos brasileiros, mas também o cambuci, fruta endêmica de São Paulo, mas raramente encontrada para comercialização, segundo Keila. Outras frutas do outono, que não são nativas, mas são fortemente produzidas no Brasil, são os cítricos, o abacate, o caqui.
Segundo a idealizadora da feira, no outono começa a melhor estação para o consumo de frutos-do-mar em concha e ostras, vieiras, lambretas e vôngoles, que foram preparados na feira pela Guará Vermelho, produtor de frutos do mar de alta qualidade.
Terroirs na agricultura
O terroirs não se aplica apenas à produção de vinhos. Segundo a agrônoma e idealizadora da Feira Viva, Keila Malvezzi, alguns alimentos refletem diretamente o ambiente e adquirem qualidades de acordo com as condições geográficas do local onde estão inseridas. Então, solo, relevo, umidade, regime de chuvas e ventos e as técnicas empregadas no cultivo, colheita e beneficiamento podem imprimir fortes características aos produtos, tornando-os únicos.
"O Brasil precisa entender que o conceito de terroir extrapola as fronteiras da produção de vinhos. Temos azeites com forte identidade regional, como o azeite Oliq e o azeite Vilella, ambos produzidos na Serra da Mantiqueira, com aromas peculiares e, o mais importante, frescos, devido a proximidade dos centros de distribuição, chegam ao consumidor com sua máxima vitalidade e valor nutricional (a idade do azeite é fundamental para a preservação dos elementos nutricionais que fazem deste um alimento funcional). Como os azeites, outros produtos guardam forte identidade regional, como queijos, cafés e arrozes (sim, esta é uma planta que tem seu aroma influenciado pelo ambiente)", exemplificou.
Próximas feiras
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