OK
Close

JBS diz ter pago propina a 1.829 políticos

Brasil e Mundo

FOLHAPRESS BRASÍLIA | 19/05/2017-23:17:24 Atualizado em 19/05/2017-23:39:45
L.Adolfo | Folhapress
ricardo saud | Ex-diretor entregou registros a procuradores

Maior financiadora das campanhas políticas de 2014, a JBS apresentou às autoridades uma delação em que acusa uma ampla gama de políticos, de governo e de oposição, incluindo o maior líder do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e integrantes da cúpula do PSDB e do PMDB.
Ex-diretor de Relações Institucionais da empresa, Ricardo Saud entregou aos procuradores da Lava Jato um balanço com, segundo ele, registro de propina a 1.829 candidatos eleitos.
Segundo ele, um montante de quase R$ 600 milhões foi distribuído como pagamento indevido a 28 partidos, número que representa quase a totalidade de siglas existentes no País (35).
Saud disse aos investigadores que o dinheiro ajudou a eleger 179 deputados estaduais em 23 unidades da federação. Os repasses da empresa teriam contribuído ainda para a vitória de 167 deputados federais, 28 senadores e 16 governadores.
"É importante a gente trabalhar que desses R$ 500 milhões, quase R$ 600 milhões que nós estávamos falando aqui, praticamente, se a gente tirar esses R$ 10 milhões, R$ 15 milhões aqui, o resto tudo é propina. Tudo tem ato de ofício [contrapartida dos políticos], tudo tem promessa, tudo tem alguma coisa."
Saud diz ainda ter mencionado "todas as pessoas que receberam as propinas direta ou indiretamente". Para ele, os beneficiados sabiam da origem ilícita dos recursos. "É muito difícil não saber que o PT comprou o partido X ou Y, que o Aécio [Neves] comprou ou deixou de comprar tal partido", disse. "Se ele [o político] recebeu esse dinheiro, ele sabe que de um jeito ou de outo foi de propina"
De acordo com a delação do empresário Joesley Batista, dono da J&F, empresa que controla a JBS, os ex-presidentes do PT Lula (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016) receberam uma soma de US$ 80 milhões em contas no exterior.
O valor representa cerca de R$ 250 milhões, segundo conversão com taxa cambial de ontem.
VANTAGENS
No acordo de colaboração enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal), o Ministério Público Federal informa que há relatos de que houve pagamento de vantagens indevidas de US$ 50 milhões a Lula e US$ 30 milhões a Dilma por meio do pagamento de depósitos em contas distintas no exterior.
Os valores estão informados em decisão do ministro Edson Fachin, que homologou a delação da JBS.
No depoimento, contudo, Joesley não informa com precisão o montante repassado.
"Na fase do presidente Lula, chegou acho que nuns 80 milhões de dólares e depois, na Dilma, chegou nuns 70. Ou o contrário, 70 na do Lula e 80 na da Dilma", afirmou o empresário. O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega atuaria como intermediário de negócios da empresa realizados com o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento), Petros (Fundação Petrobras de Seguridade Social) e da Funcef (Fundação dos Economiários Federais) com a finalidade de beneficiar a JBS.
Também foram pagos, segundo Joesley Batista, US$ 30 milhões ao ex-ministro Antonio Palocci Filho para a campanha de Dilma à presidência em 2010.
As delações do grupo também têm impacto devastador para tucanos. Aécio Neves (PSDB-MG) acabou afastado do mandato pela Justiça e teve que deixar o comando do partido.
Executivos da JBS disseram ter pago pelo menos R$ 60 milhões em propina ao tucano em troca de benefícios aos interesses do grupo.
A empresa também afirma ter pago R$ 6 milhões em caixa dois para campanha de José Serra (PSDB) à Presidência da República em 2010.
Segundo Batista, Serra esteve pessoalmente no escritório da empresa pedindo doações de campanha.
O empresário teria decidido fazer um repasse de R$ 20 milhões, parte desse dinheiro por meio de notas frias. A empresa LRC Eventos e Promoções teria emitido uma nota de R$ 6 milhões referente à compra de um camarote em uma corrida de Fórmula 1 no autódromo de Interlagos, em São Paulo. A LRC, segundo o delator, era do publicitário Luiz Fernando Furquim, morto em 2009 e homem de confiança de José Serra.