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Joesley diz que pagou mensalinho a Temer

Brasil e Mundo

FOLHAPRESS BRASÍLIA | 19/05/2017-21:47:04 Atualizado em 19/05/2017-23:10:12
Arquivo | TODODIA Imagem
TEMER | Presidente teria pedido

No acordo de delação premiada homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o empresário Joesley Batista, do grupo JBS, afirmou que, a pedido do presidente Michel Temer, aceitou fazer pagamentos totais de R$ 4,7 milhões de 2010 a março de 2017, incluindo um "mensalinho" de R$ 100 mil e um repasse, em espécie, de R$ 300 mil para as mãos do marqueteiro de confiança do presidente, Elsinho Mouco. Os dados constam de um "anexo" entregue por Joesley à PGR (Procuradoria Geral da República), segundo revelou ontem o site "O Antagonista". Joesley diz que também pagou mensalinho a Milton Ortolan, que foi secretário de Educação de Americana na gestão Diego De Nadai (leia texto na página 24).
O "anexo" é um roteiro do que o empresário pretendia contar ao Judiciário caso tivesse aprovado o acordo de delação premiada com a PGR. A segunda etapa é a confirmação desses dados, em depoimentos.
No "anexo", Joesley descreve que o seu relacionamento com Temer começou em 2010, quando foi apresentado ao peemedebista pelo ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi. Segundo Joesley, Rossi lhe disse "que era afilhado político de Michel Temer e operava com ele no Porto de Santos".
Durante a campanha eleitoral de 2010, na qual Temer era o vice na chapa de Dilma Rousseff (PT), segundo Joesley, o atual presidente pediu que ele pagasse R$ 3 milhões "em propinas", que foram divididas da seguinte forma: R$ 1 milhão "através de doação oficial" e R$ 2 milhões para a empresa Pública Comunicações por meio de duas notas fiscais. A reportagem apurou que há uma empresa com nome semelhante, Pública Comunicação, em nome do marqueteiro. Nos registros da TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não existem contratações da Pública.
Na mesma época, Joesley "concordou com o pagamento de propina" de R$ 240 mil à Ilha Produções. Segundo Joesley, após a eleição de Temer na campanha de 2010, o empresário esteve com o vice-presidente "em múltiplas ocasiões, não menos que 20 vezes, ora em seu escritório de advocacia, ora na residência de Temer e ora ainda no Palácio do Jaburu", em Brasília.
Nesse período, segundo Joesley, Temer "pediu que pagasse a ele mensalinho de 100 mil reais", além de mais R$ 20 mil ao então secretário-executivo do ministério, Milton Ortolan.
Joesley disse que "aquiesceu e determinou o pagamento, que foi feito dissimuladamente por cerca de um ano".
Durante a campanha eleitoral de 2010 para a Prefeitura de São Paulo, segundo Joesley, "Temer voltou a solicitar o pagamento de R$ 3 milhões para a campanha do então candidato Gabriel Chalita", do PMDB. Os valores foram pagos por caixa 2.
Segundo Joesley, seu relacionamento com Temer "se estreitou". Durante o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, Joesley disse que Temer pediu a ele propina de R$ 300 mil para pagar despesas de marketing político pela Internet, pois estava sendo "duramente atacado no ambiente virtual". O empresário disse que "prometeu pagar a propina e Temer orientou JB (Joesley) fazê-lo a 'Elcinho' (Elsinho) marqueteiro de sua confiança. JB (Joesley) chamou então 'Elcinho' em sua casa e lhe entregou os 300 mil em espécie", afirma o "anexo". A reportagem procurou as pessoas citadas por Joesley. O telefone celular de Mouco estava desligado. O Palácio do Planalto pediu que as perguntas fossem encaminhadas por escrito e não houve um retorno até o fechamento desta edição.
Wagner Rossi foi procurado por e-mail, mas não houve retorno. A reportagem não conseguiu contato com Chalita. Ortolan negou ilegalidades (leia na página 24).