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Aécio é afastado do Senado e irmã, presa

Brasil e Mundo

folhapress brasília | 19/05/2017-00:27:30 Atualizado em 19/05/2017-00:28:49
Marcelo Camargo | Agência Brasil
apreensão | Agente com material coletado em gabinetes

O STF (Supremo Tribunal Federal) determinou ontem o afastamento de Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, do cargo de senador.
Ele aparece, segundo reportagem do jornal "O Globo", em gravação pedindo R$ 2 milhões a donos do frigorífico JBS, que firmaram acordo de delação premiada já homologado pelo STF. O dinheiro seria para sua defesa.
Também foi afastado, a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República), o deputado Rocha Loures (PMDB-PR), um dos assessores mais próximos do presidente Michel Temer, que teria sido filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil.
Foram cumpridos oito mandados de prisão, todas preventivas, ou seja, sem data para terminar. Um dele foi expedido contra Andrea Neves, irmão do senador e seu braço direito na política, e outro contra o primo dele Frederico Pacheco de Medeiros. Segundo as investigações, Medeiros recebeu o dinheiro que o empresário Joesley Batista direcionou a Aécio, e Andrea pediu o repasse em nome do irmão.
Outros presos são uma irmã de Lúcio Funaro chamada Roberta e Mendherson Lima, assessor do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).
Funaro é apontado como operador do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os dois foram alvos de pedidos de prisão, mas já estão detidos desde o ano passado.
Também foi preso o procurador Ângelo Goulart, da Procuradoria-Geral Eleitoral, suspeito de se infiltrar em investigação relacionada a JBS.
A PGR chegou a pedir a prisão do senador Aécio Neves, mas o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, negou o pedido.
O caso só será levado para deliberação do plenário do STF se houver um recurso da PGR, o que ainda não ocorreu. Na decisão, Fachin proibiu Aécio de ter contato com qualquer outro investigado e de deixar o País.
Outros alvos foram Altair Alves Pinto, homem de confiança de Cunha que teria recebido repasses destinados ao ex-deputado, e o coronel João Baptista Lima Filho, ligado a Temer. Houve busca e apreensão na casa dos dois, mas nenhum deles foi detido.
Entre o material coletado pela PF estão R$ 2 milhões em dinheiro vivo, sendo R$ 1,6 milhão encontrado na casa da irmã de Funaro.
OUTRO LADO
Em nota, Aécio disse que se afastará da presidência do PSDB para provar sua inocência, a de seus familiares e "resgatar a honra e a dignidade que construiu em mais de 30 anos de vida dedicada à política".
A defesa do senador confirmou o pedido do dinheiro, mas disse se tratar de um empréstimo pessoal e que houve uma "descontextualização" da fala do parlamentar. A defesa da irmã dele, Andrea Neves, afirmou que o delator usou relação pessoal para obter benefício.
José Luis de Oliveira Lima, advogado de Rocha Loures, disse que "todos os esclarecimentos devidos serão apresentados pelo deputado".
Em vídeo, o senador Zezé Perrela disse que nunca falou com Joesley Batista e pessoas ligadas a empresa dele. As defesas dos demais citados não foram encontradas.