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Aécio é acusado de pedir R$ 2 milhões

Brasil e Mundo

folhapress brasília | 17/05/2017-23:32:05 Atualizado em 17/05/2017-23:31:56
Arquivo | TODODIA Imagem
AÉCIO | Presidente do PSDB deixou o plenário após a notícia

Executivos do grupo J&F, proprietário da marca JBS, afirmam que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi gravado pedindo R$ 2 milhões a um dos donos da empresa, Joesley Batista, para pagar sua defesa na Operação Lava Jato.
A afirmação, divulgada pelo jornal "O Globo", foi confirmada pela reportagem.
Procurado, o senador não quis falar sobre o assunto.
Segundo os executivos da JBS, a quantia foi entregue a um primo do tucano, em ação filmada pela PF.
A gravação que supostamente compromete o senador Aécio Neves tem 30 minutos e foi entregue à PGR (Procuradoria-Geral da República). Deve integrar acordo de delação premiada, que aguarda homologação do ministro do Supremo Edson Fachin. Segundo o jornal "O Globo", Aécio indicou um primo dele para receber o dinheiro. A Polícia Federal filmou a entrega do dinheiro e rastreou a propina por meio de marcadores eletrônicos.
O dinheiro teria sido depositado em uma empresa do também senador tucano Zeze Perrella. A JBS esteve na mira de investigações da Polícia Federal em diferentes frentes desde 2016. Na sexta-feira (12), a PF deflagrou operação sobre supostas irregularidades na concessão de empréstimos do BNDES. O juiz responsável, Ricardo Leite, de Brasília, negou um pedido de prisão contra os donos da empresa. Em janeiro, uma operação mirou o grupo ao apurar suspeitas de concessão de créditos pela Caixa Econômica.
CALADO
Aécio deixou o plenário do Senado pela lateral, sem comentar as acusações.
A notícia revelada pelo jornal "O Globo" e confirmada pela Folha de S.Paulo esvaziou o plenário do Senado, que acabara de votar o projeto de socorro aos Estados.
Em meio à discussão do texto que pode pôr fim ao foro privilegiado, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) leu em plenário a matéria. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), teve de interromper por mais de uma vez as manifestações dos senadores em reação à denúncia.
"Primeiro, eu quero deixar bem claro que nós estamos numa discussão da PEC 10, que é do foro privilegiado. Não cabia, mas eu não quis cassar a palavra do senador Lindbergh, que estava dando um aviso como alguém que está discutindo. Nós estamos no processo de discussão de uma matéria", disse.
O líder do PMDB, Renan Calheiros (PMDB-AL) estava em uma conversa no cafezinho do Senado e não quis comentar o caso. Eunício deixou a presidência da sessão afirmando que não caberia a ele "comentar a matéria."
Já o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), tentou minimizar o assunto dizendo que, por enquanto, é apenas "uma denúncia" e que qualquer comentário ainda seria "prematuro". "Considero que é uma denúncia, de tantas que estão sendo publicadas. De delações, as dezenas que estão sendo publicadas. Algumas delas, a maioria das delações, o PT está descredenciando", disse.
Questionado pela reportagem sobre ter invalidado no passado as gravações de Sérgio Machado em que ele aparece falando em "estancar a sangria", Jucá desconversou.
"Eu não invalidei, eu disse que o que eu falei foi pinçado e dado outro tipo de interpretação e eu pedi para ser investigado. No momento em que vazaram criminosamente parte dos áudios eu pedi para ser investigado e estou cobrando isso", disse.