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Conhecimento com prazo

Opinião

Marcelo Veras | Especialista em Gestão de Carreiras, CEO da Unità Educacional e professor da Inova Business School - 15/04/2017-19:20:38 Atualizado em 15/04/2017-19:20:36
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VERAS | Especialista diz que 80% do tempo do líder é dedicado a cuidar de gente

É desnecessário falar do ritmo de mudanças do nosso mundo atual. A velocidade com que as coisas acontecem hoje é, ao mesmo tempo, fantástica e assustadora. Uma pesquisa recente com grandes executivos e empresários mostrou que as mudanças tecnológicas representam o maior receio para empresas e seus comandantes.
Uma nova tecnologia pode acabar, do dia para a noite, com um produto ou até mesmo com um negócio inteiro. Empresas que fabricavam apenas câmeras fotográficas, máquinas de escrever e pagers que o digam. E isso é apenas o começo.
Lembro-me muito bem das minhas aulas de marketing quando fiz o meu primeiro MBA Executivo em 1998. De lá pra cá, mudou tanta coisa que dá até vertigem. A mídia se fragmentou (zilhões de canais de TV a cabo, revistas, blogs, etc), o consumidor mudou, as formas de pagamento mudaram e a Internet criou um novo e revolucionário canal de vendas, para não falar de outras mudanças. Em outras palavras, posso garantir que tudo o que aprendi sobre estratégias de marketing para conquistar e manter clientes serve para muito pouco hoje, exceto os conceitos básicos e eternos sobre relacionamento, bom atendimento e empatia. Nunca parei de estudar e acabo de voltar formalmente para a cadeira escolar, cursando o meu Pós MBA e me atualizando sobre o presente e o futuro da gestão de empresas. Ou faço isso, ou estou morto como profissional.
Duas perguntas que estão entre as mais feitas em entrevistas de empregos para vagas de liderança. São elas: "Na sua visão, o que você tem de diferente dos seus pares?" e "O que você fez nos últimos 6 meses para ampliar a sua fronteira de conhecimento?" A segunda pergunta toca exatamente neste tema - atualização contínua. Além disso, nos deixa uma grande provocação: até quando vale um conhecimento apresentado em um currículo ou escrito em um diploma?
Nenhuma área está isenta desta pergunta. Nenhuma. Por que os (bons) médicos vivem em congressos e simpósios? Por que a turma de tecnologia da informação não deixa de estudar nunca? A razão é simples: Quem parar de se atualizar está morto. Está fora do mercado. E isso só se explica pelo fato de que a velocidade com que as novas descobertas chegam e matam as "verdades" temporárias que vigoravam até ontem é brutal.
Hoje e no futuro, muitos dos conhecimentos acumulados poderão ser úteis apenas por um tempo determinado. Em breve, os diplomas terão prazo de validade, assim como remédio, requeijão e pão. Nas áreas influenciadas por mudanças tecnológicas ou de comportamento das pessoas, não tenho dúvida alguma. Em áreas de formação humana e raciocínio quantitativo, posso até discutir.
Veja, não quero aqui dizer que algo que foi estudado há anos não valha mais nada. Não é isso. Praticamente todas as áreas do conhecimento deixam seus legados e algumas bases que são atemporais. Mas quando falamos de áreas de aplicação (administração, engenharia, medicina e negócios), a influência das mudanças e novas descobertas é tão forte que, literalmente, destroem verdades do dia para a noite. Nestas áreas, acredito que o conhecimento desenvolvido em um período terá validade até o momento em que um novo conhecimento jogue-o por terra.
Por isso, mais uma vez, reforço a importância da constante atualização. Os profissionais que queiram sobreviver e crescer precisam ter uma agenda de educação continuada bem construída e executada, porque em breve um curso, por melhor que seja, terá prazo de validade.