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Não vai dar certo os dois juntos

Esportes

FOLHAPRESS SÃO PAULO | 20/04/2017-23:34:33 Atualizado em 20/04/2017-23:34:22
Divulgação
GANSO | Custou R$ 34 milhões ao Sevilla no ano passado

No início deste ano, Paulo Henrique Ganso, 27, entrou na sala do técnico do Sevilla (ESP), o argentino Jorge Sampaoli. Foi lá questionar o motivo para não ser escalado. Ele havia sido comprado por R$ 34 milhões em julho de 2016 e passava mais tempo no banco do que em campo.
Sampaoli ficou tão contrariado com a cobrança que passou a nem sequer relacioná-lo para as partidas.
Não deveria ser assim. Ganso sonhou por anos com essa transferência. Esperou a proposta certa. O Sevilla não está no patamar de Barcelona e Real Madrid, mas é um time de porte, atual tricampeão da Liga Europa.
Poderia ser a plataforma para o brasileiro partir em seguida para um gigante do continente e, principalmente, voltar à Seleção Brasileira. Até agora, deu tudo errado.
Dos 48 jogos que o Sevilla fez na temporada, Ganso participou de 12. Foi titular oito vezes. Ficou em campo 643 minutos. Só atuou em uma partida completa, contra o Formentera, um adversário da quarta divisão da Espanha, pela Copa do Rei.
A reportagem apurou com pessoas próximas ao jogador que ele fica no Sevilla somente se Sampaoli for embora.
O técnico é o favorito para assumir a seleção argentina. Se continuar, Ganso será emprestado e já fez o pedido para a diretoria do clube.
Desde 4 de janeiro, quando foi titular contra o Real Madrid e acabou substituído no intervalo, Ganso não jogou mais. O Sevilla disputou 19 partidas desde então. O brasileiro foi reserva não utilizado em seis delas. Nas outras 13, ficou em casa.
Ele teve problemas para se adaptar ao esquema tático de Sampaoli, um treinador fiel à ideia de jogo vertical de Marcelo Bielsa, considerado o guru de nove em cada dez técnicos argentinos.
Ao negociar com o Sevilla, o brasileiro ouviu a ideia de que seu novo chefe gostava de dar liberdade aos atletas. Que eles jogassem da mesma forma que faziam quando eram crianças, nas ruas. Isso era música para os ouvidos de Ganso.
Na realidade, Sampaoli é exigente. Todos defendem, todos atacam e com intensidade, por 90 minutos. Essa não é a característica de Ganso, meia cerebral, mas lento, que precisa ter a bola nos pés o tempo todo para aparecer.
Para o estafe do jogador, ele é levado no limite por Sampaoli, que deseja vê-lo explodir em um ato de indisciplina para justificar uma dispensa. Os críticos, porém, têm opinião diferente.
"Estar escrito PH Ganso na camisa dele é uma brincadeira. Ele tem muito pouco PH. No futebol de Ganso, falta acidez", escreveu o repórter Juan Antonio Solís, do "Diário de Sevilha", depois da partida contra o Dínamo Zagreb, pela Liga dos Campeões. Na química, ph indica a quantidade de ácido de um líquido.
Naquele jogo, o brasileiro foi titular, mas acabou substituído aos 30min do segundo tempo. O Sevilla venceu por 4 a 0. Foi a única aparição dele no torneio europeu.